O Flamengo lida com um problema envolvendo o meio-campista Nicolas De La Cruz. O cenário atual remete a um episódio ocorrido há exatamente um ano, quando o clube demitiu o então chefe do departamento médico, José Luiz Runco.
A demissão aconteceu após o vazamento de uma mensagem na qual o médico alertava que o uruguaio possuía lesões crônicas e irreparáveis nos joelhos, o que inviabilizaria seu desempenho no futebol de alto rendimento e uma futura revenda. Os números confirmam o alerta do passado. De acordo com dados levantados pela ESPN, o aproveitamento físico do atleta segue extremamente baixo.
No restante da temporada de 2025, o meia disputou 14 jogos (580 minutos), completando a partida inteira apenas uma vez. Na temporada atual, o cenário é similar: são 19 jogos e 589 minutos em campo, sem nunca atuar pelos 90 minutos.
Para efeito de comparação, o volante Jorginho, de 34 anos, tem uma partida a menos no ano, mas acumula 1.454 minutos jogados. Na última Copa do Mundo, De La Cruz somou apenas 83 minutos pela seleção uruguaia.
Nos bastidores, o caso gera desconforto financeiro e político. Contratado à vista por 16 milhões de dólares em 2023, o jogador possui contrato até o fim de 2028 e vencimentos elevados, o que afasta clubes interessados e impede uma negociação. Internamente, alas da diretoria já admitem o erro no investimento e relembram os avisos do antigo departamento médico.
Outro ponto de atrito é a recusa do atleta em jogar em gramados sintéticos, piso utilizado por cinco times da Série A. A ausência do meia na recente goleada por 4 a 0 sobre a Chapecoense na Arena Condá deixou claro a questão. O clube justificou a falta pelo piso artificial, ressaltando que o jogador treinava normalmente no Rio de Janeiro.
O tema causa ainda mais ruído quando comparado à postura de outros atletas. Em maio, contra o Athletico-PR e com o time cheio de desfalques, De La Cruz também não atuou no gramado artificial. Na mesma partida, o espanhol Saul, recém-recuperado de cirurgia, aceitou ir para o jogo, ganhando prestígio interno por priorizar as necessidades do elenco.


