O Flamengo tenta administrar uma crise interna que extrapola o desempenho dentro de campo. Enquanto torcedores concentram questionamentos à metodologia de Leonardo Jardim, nos bastidores a insatisfação foca em outro nome: José Boto. As relações desgastadas, o jeito rude e os resultados abaixo do esperado têm sustentado uma crise que cerca o clube às vésperas do mata-mata da Libertadores.
Marcada desde sempre pelo distanciamento, a convivência do diretor português com o elenco e funcionários do Ninho do Urubu segue descrita com frieza. É aí que José Boto se torna um dos personagens mais pressionados do clube. Segundo o ge, Boto é visto até mesmo como alguém grosseiro e que faz cobranças consideradas duras em situações pontuais. Fontes revelam que ele pouco faz questão de ser bem recebido.
A maior insatisfação é com o relacionamento, mas não é a única. Existe um incômodo dentro do Flamengo com a frequência de aparições de Boto em materiais de divulgação do clube. Acrescido a isso, a suposta exigência por serviços particulares de funcionários do Ninho, como limpeza, também ampliou a rejeição interna.
Essa resistência a Boto ganhou tons ”insustentáveis” especialmente após o processo que levou à demissão de Filipe Luís, em março. A saída do então treinador aumentou a rejeição interna ao diretor, que passou a enfrentar um ambiente ainda mais desgastado desde aquele momento.
Bap chegou a cogitar saída de José Boto
O presidente Luiz Eduardo Baptista cumpriu sua rotina de reuniões no Ninho do Urubu nos últimos dias e notou que o clima se mantinha de insatisfação. Ainda segundo o ge, Bap esperava que os títulos conquistados em 2025 aliviassem a frieza da relação e, principalmente, a cobrança sobre o departamento de futebol. O efeito foi oposto, e o desgaste só aumentou.
Bap, porém, segue apostando na relação de Boto com Leonardo Jardim para manter as coisas como estão. Ao menos por ora. Isso não quer dizer que o presidente esteja satisfeito com tudo, até porque a presidência discutia reformulação no departamento de futebol há poucos meses.
A saída de José Boto fez parte das possibilidades analisadas por Bap, no mesmo período do desligamento de Filipe Luís e de sua comissão técnica. Tanto que o presidente rubro-negro chegou a consultar possíveis substituos ao português no cargo, como, por exemplo, o ex-zagueiro Fábio Luciano, que encerrou a carreira no Flamengo em 2009.
Edu Gaspar, que estava de saída do Nottingham Forest à época, também foi um nome cotado para o cargo de diretor. No caso do ex-dirigente, porém, não houve contato naquele momento. Bap acabou decidindo pela permanência na expectativa da crise cessar ou diminuir.
Apesar da permanência de José Boto, o cenário interno segue cercado de incertezas e existe pouca expectativa nos bastidores de que o diretor permaneça no clube em 2027.


