Cristiano Ronaldo e Lionel Messi protagonizaram por muitos anos a principal rivalidade do futebol, marcada por recordes, títulos e disputas individuais. Apesar de tudo o que construíram dentro de campo, a relação entre os dois também chama atenção pela forma como essa rivalidade foi tratada fora dele.
Nesta quarta-feira (12), Messi falou pela primeira vez sobre a morte de seu pai e recebeu apoio público de Cristiano Ronaldo, através de um comentário nas redes sociais. Jorge Messi estava internado há meses em um hospital de Rosario, cidade natal do astro argentino, e faleceu no último sábado (8) em decorrência de uma longa e grave doença.
“Um abraço enorme para você e os seus nestes momentos difíceis, Leo. Muita força”, escreveu Cristiano entre os milhares de comentários na carta de Messi ao pai.
Além de pai, Jorge também atuava há anos como agente e gestor de negócios do filhos. Os dois mantinham uma relação bem próxima e compartilhavam praticamente tudo do império construído pelo camisa 10 em sua trajetória profissional.
Veja a carta de Messi na íntegra
“Pai, ainda não consigo acreditar que você se foi. Não consigo aceitar, ou melhor, não quero aceitar. É muito difícil imaginar que não vou mais te ver, que não vamos mais conversar. Eu sei que você estava sofrendo e que o melhor era você partir, mas foi cedo demais. Ainda tínhamos muito para aproveitar juntos.
Você tanto me pedia para jogar a última Copa do Mundo e, dias antes de começar, foi quando tudo aconteceu. Era a primeira vez que você não estava em um torneio, mas a mamãe me dizia que você estava melhor e que ficaria bem para poder viajar. Eu dizia que chegaríamos à final para que você pudesse viajar.
Cada vez que terminava uma partida, eu esperava e sentia sua falta também. Foi aí que percebi que a situação era muito grave de verdade. Mesmo assim, eu não conseguia parar de pensar em chegar o mais longe possível para dar tempo de você assistir a uma partida. Chegamos à final e você não pôde estar lá. Queria ganhá-la para te levar até ela e te mostrar uma taça nova. Não consegui, minhas pernas não respondiam mais. Dessa vez tentei ir contra o meu físico, mas não pude. Nunca vou me perdoar por isso.
Quando cheguei, você acreditava que tínhamos perdido a final nos pênaltis. Não pudemos falar sobre nada do que aconteceu. Você não pôde aproveitar nada. Não fomos campeões, mas você não sabe como aproveitamos cada partida. Mais uma vez, você tinha razão: eu precisava estar lá e jogar.
Estou te contando isso porque foi a única coisa sobre a qual não pudemos conversar, porque de todo o resto você já sabe. Falávamos todos os dias e nos víamos sempre que os compromissos permitiam.
Não sei o que vou fazer sem você, não sei como seguir em frente. Eu só jogava futebol e agora tenho muitas dúvidas de que continuarei fazendo isso por muito mais tempo. Você esteve ao meu lado desde o começo; faltava tão pouco para a final. Por que você não aguentou só mais um pouquinho e terminávamos juntos?
Eu sei que a sua felicidade era ver sua família bem, sua esposa, seus filhos e, acima de tudo, sem que eles percebessem, me ver jogar. Desde pequeno você sempre foi assim. Você me levava para todos os treinamentos assim que saía do trabalho. Muitas vezes era a mamãe que me levava porque você estava trabalhando.
Obviamente, você não faltava a nenhuma partida. Como você sofria me assistindo e como aproveitava, embora nunca demonstrasse muita alegria.
Você foi pai, amigo e representante. Sempre foi a pessoa em quem eu podia confiar em qualquer momento e nunca errava em nada. Além de algumas broncas ou discussões, você sempre tinha razão. No final, tudo acabava acontecendo exatamente como você dizia.
Vou sentir muito a sua falta, mas você sempre estará presente, principalmente na educação dos meus filhos, porque os ensino e os educo da forma como vocês fizeram comigo. Descanse em paz e cuide de nós lá de cima, como fazia aqui. Obrigado por tudo. Eu te amo, pai”.


