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Áudio falso do VAR é usado durante julgamento do Ba-Vi no STJD

O zagueiro Cacá, atleta do Vitória, recebeu uma suspensão oficial de duas partidas imposta pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva. No entanto, o resultado do julgamento da última quinta-feira (27) acabou ofuscado por uma situação bastante inusitada, que envolveu a exibição de uma prova falsa no plenário.

A Quarta Comissão Disciplinar do órgão avaliava os desdobramentos disciplinares do clássico entre Vitória e Bahia, válido pelo Campeonato Brasileiro. O foco central do debate era a confusão gerada no gramado logo após um gol marcado pela equipe tricolor durante a partida.

Naquela ocasião específica, o volante Jean Lucas estava comemorando o lance quando foi repentinamente abordado por Cacá. O defensor rubro-negro puxou a camisa do adversário e tentou rasgar o tecido, atitude classificada como antiética que rendeu a punição baseada no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva.

O ponto fora da curva no tribunal aconteceu exatamente no momento de revisar as provas anexadas pela Procuradoria. Um áudio contendo uma suposta análise do VAR foi reproduzido na audiência como evidência oficial, mas o material exibido não passava de uma edição não oficial da internet.

Quem identificou a grave falha nos documentos apresentados pela acusação foi o próprio representante jurídico do clube punido. O advogado Matheus Moreira Saleão interrompeu a sessão rapidamente para alertar os auditores sobre a procedência completamente duvidosa do conteúdo que estava sendo analisado.

“Tenho quase certeza que essa página é a mesma envolvida em um caso de áudio de VAR fake, se não é engano, é um perfil de paródia”, argumentou o defensor do Vitória de forma direta aos demais presentes na comissão.

Pressionado pelo questionamento, o procurador Roberto Maldonado reconheceu o erro imediatamente perante o tribunal e assumiu que não havia checado a veracidade do arquivo. “Ele parece realmente, até pelo linguajar, até acredito que devemos desconsiderar esse vídeo”, admitiu o responsável pela denúncia.

Esse tipo de equívoco processual não é algo inédito na justiça desportiva brasileira atual. Há pouco tempo, um episódio idêntico ocorreu no caso envolvendo Victor Gabriel, do Internacional, e Gabriel Pec, do Cruzeiro, quando a defesa anexou por engano um áudio falso aos autos oficiais.