Uma negociação envolvendo um jogador de apenas 20 anos pode representar uma mudança importante no planejamento financeiro do Corinthians. É nesse cenário que a possível venda de André ao Nottingham Forest ganhou peso dentro do clube. Apesar da necessidade de aumentar as receitas, a diretoria alvinegra não pretende agir de maneira precipitada e decidiu conduzir as conversas com cautela.
O motivo para a tranquilidade está no próprio formato do possível acordo. André não seria liberado imediatamente para a Inglaterra. A previsão é de que o volante permaneça no Corinthians até o fim do ano, permitindo que os clubes avancem na documentação mesmo depois do encerramento da janela inglesa.
Financeiramente, entretanto, ainda existe uma distância considerável entre as partes. O Nottingham Forest ofereceu inicialmente 12 milhões de euros, aproximadamente R$ 72 milhões. O Corinthians considera a quantia insuficiente e estabeleceu como referência uma operação de 15 milhões de libras, superior a R$ 105 milhões.
A proposta alvinegra inclui cerca de 6 milhões de libras condicionados ao cumprimento de metas e bônus. Como o clube paulista possui 70% dos direitos econômicos de André, a definição dos valores e das condições terá impacto direto no retorno financeiro da operação.
Os ingleses, por enquanto, não demonstram disposição para alcançar integralmente a pedida corintiana. Ainda assim, o entendimento dentro do Timão é de que há espaço para negociação e que um consenso pode ser encontrado nos próximos dias. Por isso, a diretoria prefere esperar uma nova movimentação do Forest antes de tomar uma decisão definitiva.
A valorização de André acontece depois de um período de evolução durante a temporada. Criado no Terrão, o volante enfrentou dificuldades no primeiro semestre, inclusive com duas expulsões consecutivas, mas conseguiu recuperar espaço após receber confiança de Fernando Diniz.
Desde então, o jogador voltou a mostrar características importantes para o futebol europeu. Sua intensidade na marcação aparece em números expressivos de desarmes, interceptações e duelos vencidos, enquanto a capacidade de conduzir a bola e acelerar a saída também se tornou um diferencial.
O interesse do Nottingham Forest não é o primeiro sinal de valorização. Uma negociação com o Milan chegou a ser considerada anteriormente, mas acabou interrompida pelo Corinthians.
Agora, a possível saída para a Inglaterra pode ter um peso ainda maior. O orçamento do clube prevê R$ 151 milhões em receitas provenientes de transferências e mecanismos de solidariedade. Se André for negociado por mais de R$ 105 milhões, uma única operação poderá representar mais de 70% dessa meta.


