O presidente da principal torcida organizada do Corinthians, a Gaviões da Fiel, expôs um forte desabafo feito pelo elenco alvinegro. Alexandre Domênico, conhecido como Alê, detalhou o que ouviu dos atletas durante uma reunião realizada na última sexta-feira (18), no CT Joaquim Grava, com a presença da diretoria e comissão técnica.
Durante o encontro, o líder da organizada ouviu relatos sobre o clima interno. Segundo as informações divulgadas pelo dirigente, os jogadores assumiram a má fase e usaram um rival carioca como exemplo.
“(Os jogadores do Corinthians) falaram que as coisas não estão dando certo, que o ambiente está ruim, citaram até o time carioca lá (Flamengo). Falaram: ‘Olha o gol que os caras fizeram ontem. Quando está tudo certinho, as coisas acontecem, tá ligado?'”, declarou.
A postura do grupo surpreendeu os torcedores que foram ao local para protestar. Alê reproduziu o impacto da conversa: “O desabafo deles foi pesado. Nós viemos a ‘220 km por hora’, naquele ritmo nosso, cobrando… Aí, quando eu dei espaço de voz pra eles, foi um choque de realidade muito grande. A gente nunca viu um jogador desabafar tanto igual os caras desabafaram aqui, na frente do presidente. O bagulho tá louco mesmo”.
Além do desempenho esportivo, a pauta financeira dominou as discussões. Os profissionais relataram dificuldades diárias no clube, com destaque para os vencimentos atrasados que afetam a rotina do departamento de futebol.
A maior preocupação expressa pelo plantel não envolve as estrelas do time. O alerta foi feito em relação aos funcionários comuns e aos atletas com remunerações menores, que dependem diretamente da regularidade dos pagamentos.
O representante da torcida reforçou a cobrança em cima da diretoria corintiana. Ele foi enfático sobre a gestão: “Os medalhões conseguem sobreviver a um salário atrasado. Mas tem CLT e jogador de menor porte que não consegue sobreviver com atraso. A obrigação da diretoria é, minimamente, honrar salário”.
Apesar das dívidas, os atletas reconheceram que a crise financeira não serve de desculpa para os resultados em campo. Com isso, as cobranças da torcida se estenderam ao trabalho da comissão técnica.
O treinador Fernando Diniz foi alvo de questionamentos sobre as decisões nos últimos jogos. A torcida cobrou evolução tática e criticou a falta de rendimento: “Você está poupando jogador, tem um monte de jogador poupado e não acontece nada em campo. Alguma coisa tem que acontecer”.
Apesar da tensão natural da cobrança, o saldo do encontro foi avaliado de forma positiva. O presidente da Gaviões classificou a reunião como uma das mais produtivas dos últimos tempos, justamente pela clareza na exposição dos problemas.


