Por que? CBF usa dados da base para justificar corte no limite de estrangeiros

A CBF apresentou aos clubes um relatório com dados sobre a utilização de jogadores jovens no Campeonato Brasileiro para justificar a decisão de reduzir gradualmente o limite de estrangeiros nas partidas da competição. A entidade relaciona o aumento da presença de atletas de outras nacionalidades à perda de espaço dos jogadores brasileiros mais jovens.

Segundo o levantamento, a mudança no limite de estrangeiros teria acompanhado uma queda significativa na participação dos atletas Sub-23. Quando a quantidade máxima permitida era de cinco estrangeiros, os jovens brasileiros tinham uma presença maior na minutagem do Brasileirão. Com o limite chegando a nove, a participação da categoria caiu para cerca de 14% do tempo total em campo.

A CBF utiliza as principais ligas europeias como parâmetro para sustentar a preocupação. De acordo com os dados apresentados pela entidade, jogadores Sub-23 representam aproximadamente 28% da minutagem em campeonatos como os da Inglaterra, Espanha e Alemanha.

O relatório também relaciona a idade dos elencos ao desempenho físico das competições. A avaliação aponta que o Brasileirão possui uma média de idade mais alta em comparação com alguns dos principais campeonatos europeus e apresenta menor intensidade física. Ligas com elencos mais jovens registrariam maior quantidade de ações e corridas em alta intensidade durante as partidas.

Na avaliação da CBF, o cenário pode prejudicar não apenas a presença dos jovens no futebol profissional, mas também o processo de formação e desenvolvimento de novos jogadores brasileiros. A entidade afirma que profissionais envolvidos com categorias de base também levaram essa preocupação aos dirigentes durante as discussões sobre a mudança no regulamento.

A redução, aprovada pelos clubes, vai ser gradual. O limite de estrangeiros relacionados por partida passa de nove para oito em 2027, depois para sete em 2028, seis em 2029 e chega a cinco em 2030.