O ChatGPT, o Gemini e o Claude vão passar a respeitar um novo tipo de restrição na internet. A mudança envolve a coleta de conteúdos publicados em sites e pode afetar a quantidade de material disponível para treinar futuros modelos de inteligência artificial, sem alterar diretamente as funções oferecidas aos usuários.
A OpenAI, responsável pelo ChatGPT, o Google, desenvolvedor do Gemini, e a Anthropic, criadora do Claude, anunciaram apoio a uma regra comum que permitirá aos responsáveis por páginas informar quando não autorizam o uso de seus textos e outros conteúdos no treinamento de IA. A Microsoft também aderiu à iniciativa.
A novidade funciona por meio do robots.txt, arquivo usado por sites para orientar ferramentas automatizadas. Em vez de criar uma instrução diferente para cada empresa, os administradores poderão adicionar um sinal compartilhado, identificado como __usage_ai-training, para indicar quais áreas podem ou não ser utilizadas nesse processo.
Na prática, um portal poderá restringir o uso das próprias reportagens para treinamento e liberar outras seções. A medida busca simplificar a gestão dessas permissões, especialmente para veículos de comunicação, que discutem como seus materiais são aproveitados por sistemas de inteligência artificial.
O recurso não significa que o ChatGPT, o Gemini e o Claude deixarão de acessar toda a internet. A sinalização trata especificamente do treinamento de modelos. Ela não impede, por si só, que páginas apareçam nos resultados tradicionais de busca, nem apaga conteúdos que já tenham sido coletados anteriormente.
A adoção ocorrerá em etapas. A Anthropic já começou a reconhecer a orientação. A Microsoft prevê aplicar as novas preferências a partir de 1º de fevereiro de 2027. O Google planeja implementar o mecanismo em 2027, enquanto a OpenAI afirma que fará a mudança nos próximos meses.
A proposta foi apresentada por Kevin Kelley, da Anthropic, no âmbito das discussões da Internet Engineering Task Force (IETF), organização que desenvolve padrões para a internet. O texto ainda está em análise e não representa uma norma definitiva. As empresas continuarão oferecendo seus controles específicos durante a transição.