A Volkswagen avalia congelar os salários de cerca de 660 mil funcionários em todo o mundo até 2030. O plano integra uma estratégia de redução de custos e foi revelado nesta segunda-feira (19 de outubro). A proposta ainda depende de negociação com os representantes dos trabalhadores.
O Conselho Global de Trabalhadores confirmou à Reuters que recebeu informações internas sobre a intenção da diretoria. A medida aparece em documentos do programa de reestruturação da montadora, chamado Group Target Picture, divulgados inicialmente pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung. A aplicação poderá variar conforme cada mercado.
Além da suspensão de reajustes, as diretrizes incluem cortes em remuneração variável, pagamentos especiais e benefícios. Os documentos também mencionam aumento de produtividade, maior flexibilidade da jornada, redução de horas extras e diminuição do quadro de pessoal em áreas não ligadas à produção.
Sindicato reage ao plano da Volkswagen
A reação dos representantes dos funcionários foi contrária à proposta. O conselho classificou a iniciativa como absurda e questionou sua viabilidade. Já o sindicato alemão IG Metall ressaltou que as decisões salariais dependem de negociação coletiva. A entidade reivindica aumento de 5% na próxima rodada de conversas.
Na Alemanha, aproximadamente 130 mil empregados vinculados ao acordo coletivo da Volkswagen já haviam adiado um reajuste de 5,5% no pacote de contenção de gastos de 2024. O Süddeutsche Zeitung calcula que a ausência de aumentos até 2030 poderia representar perda de aproximadamente 10% no poder de compra, devido à inflação.
A montadora não confirmou o congelamento e afirmou que não comenta especulações. Um porta-voz informou que uma nova rodada de negociações, prevista para esta semana, discutirá propostas sobre custos trabalhistas. O debate ocorre após a aprovação do plano Future Plan 2030, que prevê cerca de 50 mil cortes de empregos no grupo.