Em 5 de dezembro de 2011, Fátima Bernardes se despedia do Jornal Nacional e encerrava um ciclo que já durava há 14 anos. A saída do telejornal de maior audiência da televisão brasileira abriu caminhos para a jornalista no entretenimento, mas muito antes da decisão ser tomada, causou impactos significativos em sua vida e saúde.
Em uma conversa bem franca, Fátima revelou que passou por períodos de sofrimento, angústia, que tinha muitas crises de ansiedade e começou a passar mal com frequência só de pensar na possibilidade de abordar o tema ‘transição de carreira’, algo que ela não conseguia verbalizar.
“Quando comecei a querer sair, não tinha muita coragem de dizer. Pensava um pouco à frente e achava que ia ficar tarde para tentar me experimentar em outras coisas. Pensava que se tivesse algum problema de saúde que não me deixasse mais fazer o JN ia ser mais fácil. Passei a passar mal todo dia”, contou ao videocast Conversa Vai, Conversa Vem, do ‘O Globo’.
Entre muitos momentos vendo sua saúde ser prejudicada, Fátima passou por um episódio bem difícil: teve que apresentar o Jornal Nacional com dois enfermeiros de prontidão para caso algum antendimento de emergência fosse necessário. Em outra ocasião, não conseguiu concluir a apresentação, e o ‘Boa Noite’ final foram feitos por William Bonner e Heraldo Pereira.
Fátima contou que começou um tratamento, e que as análises a abriram os olhos e fizeram enxergar o que estava acontecendo. Uma junção de fatores interferia no momento difícil enfrentado pela jornalista: ser mãe de três filhos, a exaustão da rotina e a vontade de mudar de caminho.
Depois de entender o que estava acontecendo, Fátima conseguiu conversar com a Rede Globo e expor seus desejos. Foi quando ela abriu caminhos novos, ficou 10 anos no comando do ‘Encontro’ e apresentou uma edição do The Voice Brasil.
Após isso, ela fez questão de explicar que não era infeliz no que fazia, mas que precisava se reencontrar. “E que não porque era infeliz fazendo aquilo, mas queria experimentar outras coisas. Estava fazendo 25 anos no jornalismo. E, aí, foi. E não precisei mais de remédio, porque consegui ir fazendo várias outras mudanças com mais naturalidade”.


