A situação financeira de grandes clubes brasileiros voltou a gerar preocupação entre equipes de menor orçamento, que dependem do recebimento de valores de transferências para manter as contas em dia. O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, fez críticas ao cenário e apontou Corinthians e Santos como exemplos de clubes que acumulam dívidas e, ainda assim, seguem contratando jogadores.
O dirigente revelou que o Corinthians ainda precisa quitar parcelas referentes à contratação do volante Raniele. Segundo Dresch, uma parcela de R$ 800 mil venceu em julho, enquanto outra está prevista para outubro. O acordo prevê que o débito seja liquidado ao longo dos próximos cinco anos, mas o atraso já preocupa o Cuiabá, que disputa o acesso à Série A.
— A CRND fez um plano de pagamento ao Corinthians, em julho venceu parcela de R$ 800 mil (por Raniele), agora em outubro já vence outra, faltam cinco anos para ser liquidado. Estamos muito preocupados. Estamos em uma reta final de campeonato na Série B, tentando o acesso, e esses atrasos nos atrapalham demais.
Dresch também citou o Santos, condenado pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) a pagar quase R$ 19 milhões ao Cuiabá pela contratação de Joaquim. Para o presidente, porém, existe pouca perspectiva de que o clube consiga receber os valores no curto prazo.
— A gente sabe muitos bastidores do Corinthians. Acho muito difícil a gente receber. Ontem a CNRD condenou também o Santos a pagar quase R$ 19 milhões pelo Joaquim, mas também acho muito difícil. O estado do Corinthians e do Santos é de falência. E clubes que dependem desse dinheiro, como o Cuiabá, acabam pagando o pato.
O dirigente defendeu mudanças no sistema de punições e afirmou que o transfer ban não tem sido suficiente para impedir que clubes inadimplentes continuem contratando. Para ele, a perda de pontos deveria ser utilizada como mecanismo de pressão.
— Esse problema existe porque vivemos num mercado sem regulação e sem punição. O transfer ban hoje está se mostrando insuficiente. Precisa ter perda de pontos.
Dresch ainda criticou o Santos por contratar jogadores enquanto mantém uma dívida milionária com o Cuiabá e citou os impactos dessa diferença financeira na disputa do Campeonato Brasileiro.
— Como um clube que deve R$ 18 milhões ao Cuiabá contrata um jogador pagando R$ 2 milhões por mês? Nomes como Arthur, Cebolinha, que vão fazer diferença na tabela de classificação. Foram lá em Belém e ganharam do Remo, vão ficar na Série A. Como você acha que o Mirassol se sente?
Por fim, o presidente destacou o peso dos valores atrasados para o Cuiabá, cuja folha salarial mensal, segundo ele, é de R$ 1,6 milhão.
— A folha salarial do Cuiabá hoje é de R$ 1,6 milhão por mês. Esse dinheiro que entraria para mim é a sobrevivência. Eu vou sempre defender meu clube. Considero o (Osmar) Stabile uma pessoa séria, mas pegou um problema importante.

