As pausas para hidratação adotadas na Copa do Mundo de 2026 deixaram de ser apenas uma medida de preservação física para os atletas e se transformaram em uma mina de ouro comercial para as emissoras de televisão e grandes astros do esporte. Inspirada em práticas consolidadas no esporte norte-americano, a dinâmica introduziu duas paradas obrigatórias por partida (uma em cada tempo, com duração de três minutos) para amenizar os efeitos do calor. Porém, a interrupção que mudou a estrutura tradicional dos dois tempos de jogo gerou mais janelas comerciais e aumentou o volume de peças publicitárias nas transmissões.
A novidade tem sido alvo de vaias e críticas por parte de torcedores que enxergam fins exclusivamente comerciais na mudança. Apesar disso, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, negou interesses financeiros por parte da entidade, explicando que a principal razão é o forte calor e o desgaste de uma competição de 39 dias que pode exigir até oito partidas por seleção.
O dirigente assegurou ainda que a Fifa não obteve receitas extras com as pausas, já que os contratos comerciais foram fechados antes do início do torneio, e que a publicidade veiculada nesses intervalos é de responsabilidade das próprias emissoras.
Se por um lado a mudança divide opiniões nas arquibancadas, por outro ela consolidou o ex-jogador britânico David Beckham como um dos principais beneficiados econômicos do Mundial. Atuando como um dos grandes garotos-propaganda do futebol nos Estados Unidos, o ex-atleta tem seu rosto exibido nas televisões americanas por pelo menos oito marcas de peso durante as transmissões.
Entre as empresas que protagonizam as campanhas publicitárias com o astro estão: Pepsi, McDonald’s, Lay’s, Stella Artois, Home Depot, Bank of America, Verizon e Adidas (marca com a qual Beckham mantém um contrato vitalício).
Especialistas em negócios esportivos apontam que essas campanhas veiculadas especificamente nos novos intervalos da Copa do Mundo devem render a Beckham cerca de US$ 25 milhões (cerca de R$ 130 milhões). De acordo com Patrick Rishe, diretor do programa de negócios esportivos da Universidade de Washington, esses valores refletem o enorme apelo comercial, a credibilidade e a força da imagem global do britânico, atributos que poucos atletas no mundo conseguem manter após a aposentadoria.
“Esse valor mostra o tamanho da fama global de Beckham, seu enorme apelo comercial e a força da sua imagem. Poucos atletas conseguem atrair tantas marcas diferentes. Ele é reconhecido em qualquer lugar do mundo e transmite credibilidade”, disse Patrick.


