sábado, agosto 30, 2025
17.6 C
São Paulo

Transferência de Thiago Almada sofre mudança importante para o Botafogo

A previsão de receita elevada para 2025 sinaliza um cenário de otimismo

Após a saída de John Textor da administração do Lyon, o Botafogo passou a operar de forma independente dentro da estrutura da Eagle Football. A mudança encerrou o modelo anterior de caixa unificado entre os clubes da rede e, com isso, o montante referente à venda de Thiago Almada ao Atlético de Madrid será destinado exclusivamente aos cofres alvinegros.

Anteriormente, a gestão financeira compartilhada permitia que recursos oriundos do clube francês fossem utilizados em despesas do time carioca, incluindo salários e contratações. O zagueiro Jair, por exemplo, foi contratado com esse suporte.

Contudo, esse arranjo deixou de existir em razão da reestruturação promovida pela nova presidente do Lyon, Michele Kang, que atuou para evitar o rebaixamento da equipe na França.

Previsão orçamentária bilionária

A diretoria da SAF estima uma arrecadação bruta de R$ 1,2 bilhão ao longo de 2025, impulsionada pelas negociações de atletas e pela participação no Mundial de Clubes. No ano anterior, embora o balanço oficial ainda não tenha sido divulgado, o clube aponta receita bruta de R$ 719 milhões, influenciada pelos títulos da Libertadores e do Campeonato Brasileiro.

Nos dois primeiros anos sob o novo modelo societário, a operação acumulou déficits: R$ 248 milhões em 2022 e R$ 101 milhões em 2023. Segundo a atual gestão, “o Botafogo vai caminhar com as próprias pernas” a partir deste novo ciclo de independência administrativa e financeira.

Dívidas e compensações

Apesar da projeção otimista, há pendências consideráveis. A mais expressiva envolve o Atlanta United, que acionou a Fifa por conta da dívida relacionada à contratação de Almada. O clube carioca não efetuou pagamentos ao time norte-americano e, agora, deve arcar com US$ 21 milhões (cerca de R$ 116 milhões) ainda neste ano.

O valor que o Atlético de Madrid pagará ao Botafogo — € 21 milhões (aproximadamente R$ 135 milhões) por 50% dos direitos econômicos do meia argentino — será parcelado. A expectativa é que cerca de um terço seja recebido em 2025, contribuindo para aliviar o fluxo de caixa no curto prazo.

Corte de despesas e saldo com o Lyon

A fim de manter o equilíbrio orçamentário, o Botafogo promoveu ajustes na folha salarial. A despesa mensal com salários, que girava em torno de R$ 23 milhões, caiu para R$ 19 milhões após reformulações no elenco.

Apesar do fim do caixa conjunto, ainda há valores a serem repassados entre Botafogo e Lyon por conta da antiga prática de cash pooling. De acordo com fontes da SAF, o saldo atual favorece o clube brasileiro, contribuindo para quase zerar as operações dos últimos anos, mesmo com os prejuízos acumulados.

Considerações finais

A nova configuração da estrutura administrativa do Botafogo inaugura um ciclo de maior autonomia, porém também impõe desafios relacionados à estabilidade financeira. A previsão de receita elevada para 2025 sinaliza um cenário de otimismo, mas o clube ainda precisa enfrentar obrigações pendentes para consolidar sua sustentabilidade no médio prazo.