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Clube tradicional dá passo importante para virar SAF

O Avaí avançou no processo de transformação de seu modelo de gestão após os sócios aprovarem a continuidade da negociação para a venda de 90% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) à Kactus Capital. A operação, que já contava com aprovação do Conselho Deliberativo, entra agora em uma nova fase e é considerada pelo um dos momentos mais importantes da história recente da instituição.

A aprovação dos associados permite o andamento do negócio, mas a conclusão da operação ainda depende de etapas previstas no processo. Segundo reportagem do ge, clube e empresa realizarão cerca de 60 dias de diligências, com análises de contratos, documentos e toda a estrutura burocrática necessária para finalizar a negociação.

Paralelamente, o Avaí trabalha para receber a segunda parte do aporte emergencial previsto pela Kactus Capital, no valor de R$ 2,5 milhões. O Conselho Deliberativo aprovou a primeira parcela no fim de junho, com o objetivo de ajudar o clube a colocar compromissos em dia e melhorar as condições internas.

Apoio ao Avaí

O investimento faz parte da iniciativa da empresa para auxiliar o Avaí em um período financeiro delicado. De acordo com Rafael Matheus, sócio e cofundador da Kactus Capital, a prioridade neste momento é apoiar o clube na luta pela permanência na Série B do Campeonato Brasileiro.

“Estamos preocupados com a permanência do Avaí na Série B. Nossos esforços estão muito voltados nesse sentido, por isso houve uma antecipação de crédito de caráter emergencial. Justamente para melhorar a situação dos atletas, da comissão técnica e de todos os envolvidos”, declarou Matheus.

A proposta apresentada pela Kactus Capital prevê um investimento de R$ 400 milhões pela aquisição de 90% da SAF do Avaí. O acordo também estabelece que a empresa assumirá as dívidas do clube, que atualmente ultrapassam R$ 290 milhões.

Estádio da Ressacada (Foto: Divulgação/Fabiano Rateke/Avaí F.C)

Planos iniciais

Apesar da chegada da nova gestão, a Kactus Capital não pretende realizar uma grande reformulação imediata no quadro de funcionários. A empresa quer primeiramente analisar os profissionais que já fazem parte da diretoria e fortalecer setores considerados estratégicos, como o departamento de scout e a área de saúde e performance.

Mudanças em cargos de liderança, como CEO ou diretor-executivo, podem acontecer depois das avaliações, mas não aparecem como prioridade da empresa. O ex-jogador Rodriguinho, com passagens por Corinthians e Cruzeiro, aparece ligado ao projeto da Kactus Capital como sócio-investidor, mas ainda não tem função definida no departamento de futebol do Avaí.

O presidente do Avaí, Bernardo Pessi, afirmou que o acordo com a Kactus Capital possui garantias para preservar a identidade e o patrimônio do clube durante a transição para o modelo de SAF. Entre os mecanismos previstos está a participação do clube associativo no conselho de administração da SAF, com direito a ocupar um terço das cadeiras.

O contrato também garante ao Avaí poder de veto em decisões consideradas fundamentais para a história da instituição, como mudanças no nome, nas cores oficiais, no hino, no estádio e na cidade que representa. Futuras negociações envolvendo novos investidores, entrada ou saída de parceiros e alterações na estrutura societária da SAF também dependerão de aprovação do clube.

Além disso, o patrimônio do Avaí ficará integralmente protegido, incluindo a Ressacada e o centro de treinamento. Outra garantia prevista envolve a participação da torcida no novo modelo de gestão: segundo Rafael Matheus, a Kactus Capital solicitou que 10% das cotas da SAF sejam destinadas aos torcedores avaianos, permitindo que a comunidade do clube também faça parte da nova fase administrativa e financeira.