sexta-feira, setembro 4, 2026
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Corinthians ganha esperança de quitar dívida da Arena após apuração do MP-SP

Uma dívida que há anos pesa sobre o Corinthians pode estar diante de uma reviravolta inesperada. O Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação para verificar se houve cobrança indevida no financiamento da Neo Química Arena, e a análise preliminar apresentada ao órgão levanta uma possibilidade que mudaria completamente o cenário financeiro do clube.

Segundo a perícia que motivou o procedimento, o valor exigido pela Caixa Econômica Federal ao longo dos anos pode ter sido calculado de maneira incorreta. O levantamento aponta que, em agosto de 2019, o banco cobrava judicialmente R$ 536,09 milhões, enquanto a reconstrução dos números indicaria um saldo de aproximadamente R$ 280,34 milhões naquele momento.

A diferença chegaria a R$ 255,7 milhões na época. Corrigido para os valores de agosto de 2026, o montante questionado alcançaria cerca de R$ 405 milhões.

A denúncia também aponta possíveis problemas na aplicação de encargos. Entre os pontos analisados estão uma multa de 10% calculada sobre todo o saldo do financiamento, em vez de apenas sobre parcelas vencidas, além de taxas de juros que, segundo a perícia, apresentariam variações muito elevadas.

O caso está sendo conduzido pelo promotor Cássio Conserino, a partir do material produzido pelo perito Anísio Castelo Branco. Agora, o MP-SP determinou uma perícia oficial para conferir os cálculos e verificar se as irregularidades realmente ocorreram.

A dimensão da apuração explica a expectativa nos bastidores. O Corinthians já desembolsou aproximadamente R$ 600 milhões relacionados ao financiamento da Arena, enquanto o saldo oficialmente cobrado pela Caixa estaria na casa dos R$ 642 milhões.

Se a perícia oficial confirmar que os valores questionados superam o montante que ainda seria devido, o impacto para o Corinthians será enorme. O clube poderia não apenas considerar quitada a dívida da Arena, como também avaliar a existência de valores a recuperar.

A Caixa, por sua vez, sustenta que o contrato respeitou a legislação do Sistema Financeiro Nacional e não pretende detalhar a operação por causa do sigilo bancário. Enquanto a investigação avança, a diretoria comandada por Osmar Stábile prefere aguardar a análise jurídica antes de se manifestar publicamente.