Corinthians pode ter sido lesado em quase R$ 45 milhões

A dívida da Neo Química Arena voltou a chamar atenção por causa de novos questionamentos sobre os valores cobrados do Corinthians. Uma representação enviada ao Ministério Público (MP) de São Paulo (SP) aponta possíveis inconsistências no cálculo de uma multa aplicada pela Caixa Econômica Federal durante a cobrança do financiamento do estádio.

Segundo o perito Anísio Castelo Branco, a instituição financeira teria calculado a multa de 10% sobre uma base de R$ 487,35 milhões, embora apenas as parcelas que estavam atrasadas devessem entrar na conta, podendo ter lesado o clube em R$ 44,95 milhões.

Quando a cobrança judicial foi iniciada, em agosto de 2019, seis parcelas estavam em aberto, somando cerca de R$ 37,86 milhões. Pela avaliação apresentada ao MP-SP, a multa deveria ter sido de aproximadamente R$ 3,78 milhões, e não os R$ 48,73 milhões calculados sobre a base maior.

A diferença de R$ 44,95 milhões foi atualizada pelo perito com os critérios de juros previstos na representação. Até julho de 2022, foi considerada a TJLP mais 3,4% ao ano. Depois, o cálculo passou a utilizar o CDI acrescido de 2% ao ano. Com a atualização até 30 de setembro de 2026, a diferença chegaria a R$ 196,01 milhões.

A representação também questiona a aplicação dos 10% sobre juros de mora e sobre outra multa prevista no contrato. De acordo com o recálculo apresentado, essa cobrança teria acrescentado cerca de R$ 406,8 mil ao valor considerado em 2019. Atualizado, o montante chegaria a aproximadamente R$ 1,77 milhão.

O caso ainda está sob análise do Ministério Público de São Paulo, e os valores apresentados pelo perito dependem do reconhecimento das premissas jurídicas adotadas. Portanto, os R$ 44,95 milhões ainda não representam uma quantia que o Corinthians tenha garantida para receber.

A discussão acontece enquanto o Timão negocia com a Caixa uma possível operação envolvendo os naming rights da Arena. O clube também tenta recuperar cerca de R$ 27 milhões mantidos em uma conta reserva prevista no acordo de renegociação firmado em 2022.