A diretoria do Corinthians acionou seus departamentos de marketing e financeiro para buscar alternativas e negociar novos patrocinadores diante da incerteza sobre o futuro do patrocínio máster do clube. O movimento do clube ocorre em meio à publicação de uma Medida Provisória (MP) pelo Governo Federal, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que proíbe cassinos virtuais e empresas de apostas de quota fixa (as chamadas “bets”) de operar e fazer publicidade no Brasil. A medida entra em vigor a partir de 6 de outubro.
Antes mesmo do anúncio oficial, a Esportes da Sorte, atual patrocinadora máster, já havia notificado o clube sobre a possibilidade de ser impedida de atuar no país. O contrato entre a empresa e o Corinthians tem validade até dezembro de 2029 e prevê R$ 150 milhões fixos por ano, além de R$ 10 milhões destinados a ativações de marketing e metas de performance. Caso a proibição das casas de apostas se mantenha de forma definitiva, o prejuízo estimado ao clube pode chegar a R$ 450 milhões em receitas fixas até o fim do vínculo.
Como reação imediata, a diretoria do Corinthians estuda fechar acordos pontuais para o espaço máster do uniforme até o fim do Campeonato Brasileiro, com valores variando conforme a partida e o tipo de transmissão (TV aberta ou fechada). Além disso, o clube abriu conversas sigilosas com uma empresa do segmento de educação financeira.
A proposta inicial abrange desde uma estampa pontual na propriedade máster até uma parceria de maior duração em outra parte do uniforme. A ideia avaliada pela cúpula alvinegra é utilizar a parceria para realizar campanhas de conscientização sobre o uso responsável de apostas e educação financeira, uma ação que o clube entende que poderia coexistir mesmo em caso de um eventual retorno das bets ao mercado nacional.
A busca por novos acordos financeiros ocorre em um momento delicado para o Corinthians em diversas frentes. Além do impasse com a patrocinadora máster, a Justiça determinou recentemente, via liminar a pedido do Ministério Público, a suspensão da exibição da marca Fatal Fans no uniforme do clube, concedendo prazo de 15 dias para sua remoção de espaços esportivos e digitais.
Fora dos gramados, o clube também suspendeu o pagamento da dívida da Neo Química Arena e teve quatro dispositivos de seu regimento eleitoral derrubados pela Justiça para a eleição marcada para 28 de novembro. Dentro de campo, restando dez rodadas para o fim do Brasileirão, a equipe comandada por Fernando Diniz ocupa a 14ª colocação, com 32 pontos, três a mais que o Grêmio, primeiro time da zona de rebaixamento.


