A dívida do Corinthians junto à União Federal apresentou um crescimento significativo no último ano, ultrapassando os R$ 580 milhões e atingindo patamar inédito na história do clube. Conforme dados divulgados pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, os valores em aberto, sem acordos de parcelamento, representam débitos acumulados com tributos, previdência e FGTS.
Esse montante representa um aumento superior a 200% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o clube devia pouco mais de R$ 181 milhões. Atualmente, os tributos em atraso somam R$ 479,3 milhões. As obrigações previdenciárias chegam a R$ 85,2 milhões, enquanto as pendências relacionadas ao FGTS totalizam cerca de R$ 15,6 milhões.
Além dos valores listados na Dívida Ativa da União, o clube também enfrenta cobranças judiciais recentes. A União move ações que, somadas, ultrapassam os R$ 30 milhões e tramitam em tribunais federais. De acordo com a legislação vigente, a ausência de acordos pode resultar em bloqueios de crédito, restrições patrimoniais e, em último caso, leilões judiciais de bens.

Ainda que alarmantes, essas cifras não abrangem todas as obrigações financeiras do clube. O financiamento do estádio junto à Caixa Econômica Federal soma outros R$ 675 milhões. Paralelamente, o Corinthians também tenta negociar mais R$ 367 milhões no Regime Centralizado de Execuções (RCE), procedimento voltado à reestruturação de passivos. Somadas, essas pendências elevam a dívida total do clube a mais de R$ 2,7 bilhões.
Enquanto isso, outras equipes paulistas demonstram cenários mais controlados em suas finanças públicas. O Palmeiras possui dívidas em torno de R$ 10,6 milhões. Já o São Paulo registra R$ 3,2 milhões, e o Santos, R$ 1,3 milhão.
Em resposta ao cenário, a diretoria do Corinthians informou que trabalha em tratativas para uma nova transação tributária, embora ainda não tenha sido formalmente citada em algumas das novas ações judiciais. A inadimplência dos valores sem acordo pode prejudicar a gestão do clube em médio e longo prazo, comprometendo operações administrativas e negociações comerciais.
Apesar da gravidade do cenário, não houve posicionamento oficial do presidente Augusto Melo até o momento. A única manifestação pública partiu de Osmar Stabile, vice-presidente do clube, que recentemente pediu que os dirigentes rivais “deixem o Corinthians em paz” durante entrevista no Parque São Jorge.


