O médico Joaquim Grava, ex-chefe do departamento médico do Corinthians, avaliou a lesão no joelho direito de Raniele e trouxe uma perspectiva otimista sobre a recuperação do volante. Em entrevista ao portal Meu Timão, o especialista explicou que problemas no menisco deixaram de representar afastamentos tão prolongados quanto no passado.
Raniele sofreu uma entorse no joelho durante o clássico contra o Palmeiras e precisou passar por uma artroscopia para corrigir uma lesão no menisco lateral. O procedimento afastou o volante dos compromissos do Corinthians, mas sua recuperação já apresenta avanços. O jogador iniciou a transição física e voltou a realizar corridas no gramado do CT, etapa importante antes de sua reintegração aos treinamentos com o restante do elenco.
Ao comentar o caso, Grava destacou que esse tipo de lesão já foi considerado muito mais preocupante no futebol. O médico relembrou as dificuldades enfrentadas pelos atletas nas décadas de 1980 e 1990, quando os procedimentos eram mais invasivos e exigiam períodos maiores de recuperação.
“Não, não é tão grave, porque a recuperação da lesão de menisco, hoje em dia, não é como na época que eu comecei a operar joelho, nos anos 80 e 90. Ela é muito rápida. Para você ter uma ideia, o atleta operava o menisco, que era uma cirurgia aberta, e demorava de três a quatro meses. E, quando não dava mau resultado, não voltava a jogar. Tem isso também”, iniciou.
O especialista também explicou que a evolução dos exames e das técnicas cirúrgicas transformou o tratamento dessas contusões. Anteriormente, a ausência de recursos de imagem dificultava os diagnósticos, enquanto as características físicas do futebol eram diferentes das atuais.
“Era uma lesão muito significativa na época, porque nós não tínhamos exames de imagem, então o diagnóstico era clínico, e a evidência sempre era mais menisco. Era um futebol mais lento, um futebol em que você não tinha uma atividade física, uma velocidade como nós temos hoje”, acrescentou.
Joaquim Grava ressaltou que a artroscopia reduziu consideravelmente a agressividade dos procedimentos realizados no menisco. Dependendo do tipo de lesão e da intervenção necessária, o atleta pode recuperar rapidamente a capacidade de caminhar e apoiar o peso do corpo.
“Com o advento da artroscopia, há muitos anos, realmente a agressividade com a cirurgia de menisco é muito pequena. Então, o atleta, para você ter uma ideia, pode até sair caminhando do hospital, apoiando o pé sem problema, dependendo do tipo de lesão”, explicou.
O médico também citou exemplos de recuperações rápidas no futebol e afirmou que, em determinadas circunstâncias, jogadores conseguiram voltar às atividades em aproximadamente três semanas. Contudo, deixou claro que o prazo depende da ausência de complicações durante o processo.
“Nós temos aí na história atletas que retornaram em 21 dias. Nós temos o caso da Copa do Mundo, em que o atleta teve lesão no menisco, foi para o país dele e jogou a final. Então, é um tipo de cirurgia em que você pode aguardar que, de três a quatro semanas, se não apresentar nenhum tipo de intercorrência, alguma coisa que interfira, ele pode retornar o mais rápido possível”, disse.