A construção do estádio do Flamengo, no terreno do Gasômetro, deve ocorrer em um prazo de 15 a 20 anos. O presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, entende que esse é o tempo necessário para acumular o capital exigido pela obra. A diretoria trata o projeto com cautela e sem pressa.
A regra central do planejamento rubro-negro é proteger o orçamento do departamento de futebol. Para garantir essa segurança, o clube utiliza a atual concessão do Maracanã como base. O contrato de administração, dividido com o Fluminense, é válido até 2044. Esse acordo entrega a estabilidade necessária para estruturar a futura arena.
Em entrevista recente ao canal “Market Makers”, no YouTube, o mandatário detalhou a matemática do negócio. O plano é faturar alto com um elenco competitivo, guardar uma fatia do lucro e pagar o estádio de forma gradual. “Se custa R$ 3 bilhões, vai demorar 20 anos para eu ter dinheiro para construir”, declarou.
O início dos trabalhos esbarra também em questões de infraestrutura. O terreno escolhido abriga dutos de uma concessionária de gás. A realocação de toda essa rede é uma operação técnica bastante complexa e deve exigir alguns anos de trabalho até a liberação definitiva do espaço para as máquinas.
A mudança de casa deve ocorrer quando a demanda de torcedores superar a capacidade máxima do Maracanã de forma frequente. Pela demora natural do processo de construção, o dirigente admite que pode não acompanhar a conclusão. “Sinceramente, acho que talvez meus filhos vejam isso. Eu não sei se eu vou ver”, afirmou.
Os custos da obra são elevados. Um levantamento econômico, conduzido por pesquisadores da Fundação Getulio Vargas, projeta um gasto aproximado de R$ 2,66 bilhões para erguer a estrutura. A cúpula atual, no entanto, tenta revisar o projeto para enxugar os custos e fechar o orçamento perto de R$ 2,2 bilhões.
O cronograma de entrega sofreu mudanças profundas. A antiga gestão trabalhava com a meta de inaugurar o estádio na temporada de 2029. Agora, a nova direção renegociou as condições com a Prefeitura do Rio de Janeiro e alterou o planejamento para 2036, havendo ainda a chance de ampliação desse prazo.


