O projeto do estádio próprio do Flamengo no Gasômetro encontra-se paralisado. Mesmo com o clube possuindo a área há mais de dois anos, as obras não começaram. A gestão de Luiz Eduardo Baptista colocou a construção em espera, descartando o plano inicial de inaugurar a arena em 2029.
Eduardo Bandeira de Mello, ex-presidente rubro-negro, concorda com a atual diretoria sobre a necessidade de pausar a iniciativa. “Eu efetivamente não gosto dessa solução do Gasômetro. Não gosto… Até que nesse sentido a diretoria está certa: um freio de arrumação. Porque, em primeiro lugar, eu sou cria do Maracanã”, declarou em entrevista ao Charla Podcast.
Apesar da preferência histórica pelo estádio público, o ex-dirigente reconhece os obstáculos políticos do processo. “Mas entendo que por todas as condições políticas que aparecem sempre, acaba que vai ser muito difícil o Flamengo ser o dono do Maracanã ou ser um concessionário com um prazo longo que permita a gente aumentar a capacidade”, pontuou.
Caso a construção na nova área seja inevitável, o terreno atual sofre críticas pelo seu espaço reduzido. “Se for de fato impossível e o Flamengo tiver que partir para a sua casa própria, eu não gosto da solução do Gasômetro, em primeiro lugar porque acho aquele terreno muito pequeno, né?”, avaliou.
Outro problema estrutural apontado é o histórico de uso industrial, exigindo pesados investimentos em recuperação ambiental. “Aquele terreno tem que sofrer um processo de descontaminação. Ali, durante muito tempo, foi uma fábrica de gás de carvão desde o século XIX”, afirmou Bandeira sobre as condições do solo.
Os custos do projeto extrapolam a arena esportiva, envolvendo exigências de infraestrutura que constam na licitação. “A tubulação de gás que está lá tem que ser relocada; isso tudo é custoso, né? Aí a prefeitura pode dizer: ‘não, pode deixar comigo’, mas o que está escrito no edital não é isso”, alertou.
A localização também demanda intervenções profundas no trânsito das vias da região. “Então você precisa fazer uma adequação ali do sistema viário e aí vai precisar construir mergulhão, passarela, viaduto… E isso, pelo edital, quem tem que fazer é o Flamengo”, concluiu sobre as obrigações financeiras do clube.


