terça-feira, setembro 1, 2026
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Flamengo busca explicações para problema que tem se repetido nos últimos jogos

O Flamengo tem encontrado um adversário que não aparece na tabela, não veste outra camisa e tampouco precisa de 11 jogadores para incomodar. O problema está dentro das próprias partidas. A equipe tem conseguido impor seu ritmo, criar oportunidades e construir vantagens, mas frequentemente retorna do intervalo longe da mesma intensidade. A chamada “segundo-tempite” virou motivo de preocupação justamente porque começou a se repetir em momentos importantes da temporada.

O clássico contra o Botafogo, vencido por 3 a 0 no Maracanã, serve como retrato dessa diferença. No primeiro tempo, o Rubro-Negro foi dominante e finalizou 12 vezes, enquanto o rival teve apenas quatro tentativas. Depois do intervalo, entretanto, o cenário mudou. O Flamengo perdeu espaço, diminuiu a pressão e permitiu que o adversário tivesse mais controle da partida.

Os números do Campeonato Brasileiro reforçam a impressão. O time apresenta 83% de aproveitamento nos primeiros tempos, mas cai para 62,5% depois do intervalo. A distância é grande demais para ser ignorada e já mobiliza comissão técnica e elenco em busca de uma explicação que vá além de um simples problema físico.

O próprio Leonardo Jardim reconhece que o desgaste acumulado pode interferir na intensidade. Afinal, o Flamengo disputa uma temporada extensa e tem utilizado jogadores importantes em sequência. Entretanto, a justificativa não explica todos os casos. Mesmo quando houve uma semana completa de preparação, a queda de rendimento voltou a aparecer.

Há também um componente psicológico e técnico. A equipe tem desperdiçado oportunidades para ampliar a vantagem antes do intervalo. Ayrton Lucas e Léo Ortiz já chamaram atenção para a quantidade de chances criadas que poderiam transformar partidas equilibradas em confrontos praticamente resolvidos. Quando isso não acontece, o adversário permanece vivo e ganha confiança.

Jardim também identificou outro comportamento recorrente: uma sequência de erros de passe no início da segunda etapa pode desorganizar o time e provocar um efeito coletivo. Léo Ortiz foi direto ao reconhecer que apenas conversar no vestiário não tem sido suficiente para corrigir a situação.

O Flamengo não pode tratar a queda de rendimento como detalhe. A disputa pela liderança do Brasileirão exige regularidade, enquanto as quartas de final da Libertadores contra o Independiente del Valle prometem jogos de alta exigência. A derrota recente para o Cruzeiro, depois de uma queda de intensidade, mostrou o preço que esse comportamento pode cobrar.