O Flamengo acompanha de perto as discussões sobre possíveis mudanças nas regras do mercado de transferências do futebol brasileiro. Para o clube da Gávea, qualquer alteração precisa considerar não apenas a movimentação dos atletas, mas também a capacidade dos clubes de manter seus principais talentos e fazer o dinheiro continuar circulando no mercado nacional.
É justamente nesse ponto que José Boto apresentou críticas às propostas que estão sendo discutidas. Na avaliação do dirigente, limitar as negociações entre clubes brasileiros não resolveria a saída de jovens jogadores para a Europa e ainda poderia reduzir o nível técnico do Campeonato Brasileiro.
— Como estrangeiro, que trabalha no Brasil, mas que já trabalhou em outras ligas, vou dar a minha opinião, embora respeite, como é óbvio, quem fez esses estudos. Não me parece que essa medida vá ajudar o futebol brasileiro. Pelo contrário, vai pôr a liga mais fraca, porque os jogadores vão continuar saindo para a Europa muito novos, e os clubes, não tendo a possibilidade de reter esses jogadores de valor, vão ter que jogar com jogadores com menos valia, e isso vai abaixar a qualidade da liga brasileira.
Boto defendeu que o debate deveria passar por medidas capazes de fortalecer o próprio ecossistema nacional. O dirigente entende que os clubes precisam ter mais liberdade para negociar entre si e movimentar recursos dentro do país, especialmente diante da dificuldade de competir financeiramente com o futebol europeu.
Para o diretor rubro-negro, uma das mudanças mais importantes seria acabar com a limitação relacionada ao número de partidas que um jogador pode disputar antes de trocar de clube na mesma temporada.
— Acho que há uma medida que essa sim faria todo o sentido, que era a de não limitar as transferências entre clubes brasileiros a um número de jogos, porque isso é algo que não existe em mais nenhuma parte do mundo e isso faz com que o dinheiro saia daquilo que é o ecossistema do futebol brasileiro.


