A divulgação de uma investigação sobre a venda de licenças falsas para treinadores de futebol repercutiu entre nomes conhecidos do esporte nesta quarta-feira (07). Entre os jogadores citados na apuração da jornalista Joanna de Assis, do UOL, estão Thiago Silva e Felipe Melo, que apresentaram suas versões sobre a negociação.
Segundo a investigação, o argentino Alejandro Mancuso oferecia a jogadores e ex-jogadores um caminho mais rápido para obter quatro licenças da Associação de Técnicos de Futebol Argentino (ATFA). O pacote, que incluía os níveis C, B, A e PRO, custava cerca de R$ 100 mil e prometia a entrega dos documentos em poucos dias. A ATFA, porém, afirma que não autorizou Mancuso a negociar em seu nome e considera os certificados falsos.
Thiago Silva confirmou à reportagem que pagou pelo processo. Segundo a versão apresentada pelo zagueiro, as aulas não aconteceram como havia sido combinado. Depois de receber os documentos, ele tentou confirmar a situação diretamente com a ATFA, mas não conseguiu contato com a entidade. O jogador também afirmou que nunca utilizou as licenças.
Felipe Melo, por outro lado, contou que começou a desconfiar da negociação quando as aulas presenciais previstas não eram marcadas. O ex-jogador decidiu retirar de suas redes sociais as referências à ATFA e pediu o dinheiro de volta. Segundo ele, o valor foi recuperado.
— Eu imaginei que as licenças poderiam ser falsas quando eu comecei a cobrar pela aula presencial e o Mancuso nunca marcava. Pensei: “Isso aqui tá errado”. A primeira coisa que eu faço é tirar das minhas redes sociais, porque eu estava exibindo que eu era um associado da ATFA, né? E aí peço o meu dinheiro de volta. Diferente de muitos, eu consegui essa façanha aí.
Além dos dois, a investigação cita nomes como Roberto Carlos, Luiz Gustavo, Diego Lugano, Paolo Guerrero, Alex de Souza, Petkovic e Paulinho. Os relatos, no entanto, são diferentes: alguns afirmam ter acreditado que o procedimento era válido, enquanto outros sequer chegaram a concluir as etapas presenciais.
Mancuso nega ter vendido licenças falsas e afirma que apenas orientava jogadores interessados na formação argentina. A ATFA também diz não ter qualquer vínculo com o ex-jogador e afirma que uma investigação realizada na Argentina em 2025 terminou arquivada por inexistência de evidência de crime.


