Desde sua chegada ao São Paulo no início da temporada, Wendell enfrentou dificuldades para conquistar um lugar entre os titulares. Afinal, o argentino Enzo Díaz, que chegou antes e teve boas atuações, assumiu a posição de lateral-esquerdo com regularidade. Entretanto, um contratempo inesperado no sábado (19), momentos antes do clássico contra o Corinthians, mudou o cenário.
Aos 32 anos, Wendell foi informado da titularidade apenas 15 minutos antes do início da partida, em razão de uma indisposição de Enzo. Com isso, teve a oportunidade de iniciar o clássico no MorumBIS e não desperdiçou a chance. Além de cumprir bem sua função defensiva, ainda contribuiu com uma assistência para o segundo gol de Luciano, selando a vitória por 2 a 0.
Após o jogo, ele explicou como vê a relação com o companheiro de posição: “Eu acho que primeiramente é você respeitar o companheiro. O Enzo vinha e vem muito bem e é uma pessoa que eu me dou super bem aqui no grupo, então a gente não vai fazer uma trairagem um com o outro. Ele quer o espaço dele e eu quero o meu, então eu motivo ele a ser melhor e ele me motiva a ser melhor”.
Atuação decisiva no clássico
Aliás, a performance do lateral diante da torcida são-paulina no Majestoso foi a melhor desde sua estreia. Com bom posicionamento, firmeza defensiva e eficiência no apoio ao ataque, Wendell chamou a atenção pela entrega e comportamento dentro de campo. Ao final da partida, não escondeu o alívio por finalmente conseguir corresponder em um momento decisivo.
“Foi um presente antecipado para o meu aniversário! Graças a Deus consegui fazer um grande jogo e o São Paulo conseguiu fazer um grande jogo. Foi tudo perfeito, deu tudo certo e espero que a gente continue assim daqui pra frente”.
Além disso, fez questão de reforçar seu comprometimento com o clube: “A torcida pode esperar dedicação sempre. Eu não garanto fazer 500 gols ou dar 500 assistências, mas garanto o empenho, a entrega, a vontade de fazer o São Paulo sempre vencer, a dar um carrinho, a correr. Eu vim aqui não para passear, eu vim aqui para ajudar e ajudar o São Paulo sempre a vencer”.
Adaptação ao sistema e trajetória na temporada
O novo momento de Wendell também coincide com a chegada do técnico Hernán Crespo, que tem apostado em formações com três zagueiros e alas pelos lados. Segundo o jogador, sua experiência no futebol europeu, principalmente em Portugal e na Alemanha, o capacitou a atuar em diferentes esquemas táticos, inclusive com linhas de quatro ou cinco defensores.
“Eu sou adaptável a qualquer sistema. Eu joguei muito tempo na Europa com linha de quatro, com linha de cinco, numa linha mais avançada, numa linha de três mais recuada também. […] Hoje o lateral tem que saber defender e atacar, é o natural e espero que eu possa ajudar o São Paulo sempre, no meio, na defesa e no ataque”.
Até o momento, Wendell atuou por 90 minutos em três partidas pelo clube. Além do clássico, jogou contra o Fortaleza pelo Brasileirão e contra o Talleres na Conmebol Libertadores. Em dois desses confrontos, o time não sofreu gols, o que reforça sua capacidade de contribuir também na marcação .
Vestiário unido e confiança no clube
Mesmo tendo iniciado sua trajetória como reserva, Wendell valorizou o ambiente interno no clube. Segundo ele, o clima no dia a dia foi essencial para manter o foco e seguir trabalhando pela titularidade. O lateral também se declarou ao São Paulo ao destacar o acolhimento recebido.
“Desde quando eu cheguei aqui no São Paulo, só tenho coisas boas para falar do clube, da instituição. É sempre muito bom estar nesse lugar. Se me perguntassem, certamente eu falaria que é o melhor clube para estar aqui no Brasil”.
Perspectiva otimista com Crespo
Em relação ao planejamento da equipe, Wendell acredita que a chegada de Crespo pode impulsionar ainda mais o desempenho coletivo. Para ele, mesmo com a derrota na estreia do treinador diante do Flamengo, a evolução ficou evidente nos jogos seguintes contra Red Bull Bragantino e Corinthians.
“Todos viram que a gente tem potencial para crescer, e eu tenho certeza que a gente vai crescer muito e que a gente vai dar muita alegria pra torcida até o final da temporada”.
O camisa 18 ainda mencionou os desfalques que o time enfrentou ao longo do ano, como Lucas, Oscar, Calleri, Luiz Gustavo e Ferreirinha, e avaliou que, com o elenco completo e as ideias de jogo bem assimiladas, o Tricolor pode competir de igual para igual com qualquer equipe do país.


