A saída de Carlos Belmonte do comando do futebol do São Paulo gerou uma movimentação interna significativa nos bastidores do clube. Com a saída oficializada na sexta-feira (28), um dia após a goleada de 6 a 0 sofrida diante do Fluminense, o clube decidiu reformular a estrutura de decisões no departamento de futebol.
Belmonte ocupava a diretoria de futebol desde 2021, acompanhado pelos adjuntos Nelson Marques Ferreira e Fernando Bracalle Ambrogi, que também se desligaram. A mudança, além de ser vista como resposta à crise esportiva e institucional, ocorre às vésperas do último ano da atual administração, o que confere à movimentação um caráter eleitoral.
Com esse novo cenário, a diretoria tricolor pretende conceder maior autonomia ao executivo Rui Costa, que deverá assumir papel central no planejamento da temporada de 2026. Anteriormente posicionado como gerente executivo, ele passará a exercer as funções típicas de um diretor executivo, com autoridade plena para tomar decisões estratégicas no futebol.

Essa alteração também busca alinhar a condução do departamento de futebol a um modelo mais enxuto, com menos interferência política. Rui Costa já exerceu função similar em outras passagens por clubes brasileiros e está no São Paulo desde 2021. Agora, terá a responsabilidade de liderar o processo de reformulação do elenco e da estrutura técnica.
Aliás, a saída de Belmonte pode favorecer a unificação de ideias entre os setores do clube, algo que vinha sendo dificultado por desentendimentos recorrentes entre a diretoria de futebol e a presidência. Na visão interna, isso deve ajudar na resolução de conflitos, como os que envolvem o departamento médico, apontado como um dos principais problemas da temporada.
Apesar da permanência de Rui Costa e Muricy Ramalho à frente das atividades esportivas, o momento é considerado delicado. Além da instabilidade nos bastidores, o São Paulo enfrenta críticas da torcida, dívidas elevadas e uma série de jogadores lesionados — cenário que pressiona por mudanças estruturais.
Por fim, ainda que o time esteja na zona de classificação para a pré-Libertadores, a crise evidenciou a urgência por redefinir rumos no clube. A aposta na autonomia de Rui Costa surge, portanto, como uma tentativa de estabilizar a gestão esportiva, ao menos até as eleições previstas para o próximo ano.


