O São Paulo enfrenta uma cobrança judicial após a venda do atacante Lucas Ferreira ao Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. O Boavista SAF, do Rio de Janeiro, entrou com uma ação para receber R$ 524.899,61, referentes a um repasse pendente da transferência. As informações foram divulgadas pelo jornalista Pedro Lopes, do UOL, nesta sexta-feira (16 de outubro).
A negociação aconteceu em agosto de 2025, quando o clube paulista vendeu o jogador por 10 milhões de euros, divididos em quatro parcelas. O Boavista possui direito a 20% do valor líquido da transferência. Em fevereiro de 2026, o São Paulo recebeu aproximadamente R$ 11,7 milhões do clube ucraniano, mas não realizou o repasse correspondente ao time carioca.
Após receber o pagamento, o departamento financeiro do São Paulo calculou uma dívida de aproximadamente R$ 2,1 milhões com o Boavista. O Tricolor propôs dividir esse valor em quatro parcelas, entre março e junho. A proposta foi aceita, mas apenas três pagamentos aconteceram. A última parcela, com vencimento em 10 de junho, permaneceu pendente.
Sem receber o dinheiro, o Boavista enviou uma notificação extrajudicial em julho, mas não obteve resposta. O clube recorreu à Justiça, que determinou o pagamento em até 15 dias, em agosto. Entretanto, a juíza rejeitou o pedido de bloqueio de receitas televisivas e cotas da CBF e da Federação Paulista.
São Paulo contesta competência da Justiça
Na defesa apresentada em setembro, o São Paulo não negou a dívida nem contestou o valor cobrado. Entretanto, argumentou que a disputa deveria ser analisada pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), da CBF. O Boavista rebateu a alegação, afirmando que o contrato entre os clubes estabelece a Justiça paulista como responsável por eventuais conflitos.
A relação entre os clubes começou em 2021, quando o São Paulo cedeu 35% dos direitos econômicos de Lucas Ferreira ao Boavista. Em dezembro de 2024, o Tricolor recomprou 15% por R$ 600 mil, mantendo o clube carioca com 20% dos direitos econômicos.
O processo ainda aguarda uma decisão judicial. Além da cobrança atual, o Boavista possui direito a repasses sobre outros pagamentos da transferência e eventuais bônus contratuais. A última parcela da venda ao Shakhtar, de 3 milhões de euros, tem vencimento previsto para 15 de dezembro de 2026.