O Vasco da Gama não está satisfeito com as seguidas negativas que tem recebido quando pede para mandar partidas no Maracanã. O clube pretende entrar na Justiça para pedir a impugnação da licitação que deu poder sobre o estádio ao consórcio formado por Flamengo e Fluminense.
Recentemente, o Vasco teve vários pedidos para jogar no Maracanã negados. O primeiro deles foi pelas quartas de final da Copa do Brasil, contra o Vitória, que o clube entendia haver data disponível, já que tanto Flamengo quanto Fluminense já tinham sido eliminados da competição e haveria datas disponíveis.
Mas, no entendimento do consórcio do estádio, o Cruzmaltino não fez o pedido em tempo hábil para uma resposta. A diretoria tentou reverter a decisão judicialmente, mas teve o recurso negado.
Contra o Independiente Santa Fé, pelas quartas de final da Copa Sul-Americana, o Vasco também quis mandar a partida da próxima terça-feira (15), às 19 horas, no estádio Jornalista Mário Filho. Porém, recebeu outra negativa. A última tentativa foi depois de descobrir os mandos de campo das semifinais da Copa do Brasil contra o Palmeiras. O clube obteve a mesma resposta, mesmo que informalmente. Assim, a diretoria passou a avaliar a possibilidade de entrar na Justiça para impugnar a licitação do consórcio Maracanã, segundo Diogo Dantas, do O Globo.
De acordo com o jornalista, há o entendimento no Vasco de “que não foi feita uma concorrência que levou em conta a possibilidade de o clube entrar na administração”. Outro ponto que motiva o Cruzmaltino a tomar a atitude é que o consórcio e o Governo do estado do Rio de Janeiro estão repletos de pessoas ligadas ao Flamengo, algo que “inviabilizaria o Maracanã por questões políticas e não técnicas”.
Entre as pessoas que seriam ligadas ao Flamengo e que integram o governo e o consórcio está Luis Felipe de Barros, como diretor de operações. Ele teria sido indicado pelo vice-presidente rubro-negro, procurador-geral do Estado e atual secretário da Casa Civil do Governo do Rio, Flávio Willeman.
Por sua vez, a Secretaria de Estado da Casa Civil do Rio declarou que “o secretário Flávio Willeman considera-se objetivamente impedido para qualquer questão relacionada ao Clube de Regatas do Flamengo ou ao Consórcio Maracanã enquanto secretário de Estado da Casa Civil”. De acordo com o posicionamento, o responsável pela gestão do contrato da licitação do Maracanã está sob escrutínio de André Legey, subsecretário de Gestão Administrativa e Patrimonial.
Já o CEO do consórcio Maracanã, Fred Nantes, apontou que as causas para as negativas aos pedidos do Vasco são puramente técnicas. Ele justificou as respostas indicando que o gramado do estádio não tem condições de receber mais partidas do que as que já recebe.
“As negativas que tivemos até o momento foram por questões técnicas. Vocês acabaram de ver as condições do gramado, e realmente não era possível incluir nenhum jogo na programação. Falar sobre um possível jogo do Vasco aqui é futurologia, porque ainda nem recebemos um pedido do clube. Quando recebermos, será avaliado, como foram avaliados os outros pedidos”, disse ao O Globo.
Outro ponto de insatisfação vascaína é o fato de ter assinado um memorando de entendimento com Flamengo e Fluminense em 2025. Nele, os clubes concordavam que o Vasco poderia mandar de quatro a oito jogos no estádio mais os clássicos com a dupla Fla-Flu. Havia a estimativa de o Cruzmaltino mandar até 19 partidas no Maracanã, mas o acordo não tem validade porque o consórcio não o assinou.


