Rede Globo vai realizar teste jamais feito no Brasil no estádio do Palmeiras

A Rede Globo está planejando realizar uma prova de conceito (PoC) com a Claro no Nubank Parque, arena do Palmeiras e palco de shows na zona oeste de São Paulo. A iniciativa prevê o teste de transmissão de vídeo utilizando câmeras 5G sem fio conectadas a uma rede privativa em ondas milimétricas na faixa de 24 GHz, um experimento inédito com essa tecnologia no país. O objetivo principal da emissora é eliminar a necessidade de cabeamento no gramado do estádio.

A informação foi detalhada pela diretora de infraestrutura de telecom da Globo, Carolina Duca, durante o Futurecom Leader Congress 2026. A previsão é que os testes ocorram ainda este ano, assim que a operadora concluir a implementação da infraestrutura necessária.

Em agosto, a administração do Nubank Parque firmou parceria com a Claro para ser sua provedora de rede híbrida (pública e privativa), incluindo o padrão 5,5G em ondas milimétricas (mmWave).

Por meio deste teste, a Globo busca avaliar o modelo de negócios de compartilhamento de custos proposto pela Claro, no qual a operadora divide os valores de implementação com a emissora. Esse formato será comparado ao modelo adotado no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, onde a própria Globo custeou e gerencia a infraestrutura privativa em frequência de 3,7 GHz (com licença temporária da Anatel).

No Maracanã, o uso do 5G privativo reduziu o tempo de instalação das câmeras de uma semana para dois dias.

Atualmente, a emissora opera cinco câmeras 5G na arena carioca e pretende expandir para dez até o final de 2026, viabilizando o primeiro jogo com cobertura completa via 5G privativo e apenas uma câmera cabeada como alternativa de segurança.

A realização dos testes tecnológicos ocorre em meio a transformações recentes no comando e na identidade do estádio palmeirense. Em abril, o Nubank adquiriu os direitos de nome da arena, antes conhecida como Allianz Parque por cerca de 12 anos. Após uma votação pública com a participação de torcedores e clientes, a opção “Nubank Parque” foi a vencedora com 47,5% dos votos, superando “Nubank Arena” e “Parque Nubank”, resultando na implementação da nova identidade visual em julho.

O contrato de naming rights envolve um montante estimado em R$ 50 milhões por ano, podendo somar R$ 900 milhões até o ano de 2044.

Além da alteração de nome, o controle operacional da arena também passou por mudanças significativas. O banco BTG Pactual fechou acordo com a WTorre para se tornar o acionista majoritário da sociedade operadora do estádio. A movimentação teve início em 2024, quando a Enforce, gestora de créditos do BTG, adquiriu cerca de R$ 650 milhões em dívidas da construtora junto ao Banco do Brasil.

A transação ainda depende da aprovação do CADE, enquanto a WTorre permanecerá como acionista relevante e o contrato de direito de superfície com o Palmeiras até 2044 continuará válido.

Desde a sua inauguração em novembro de 2014, o local consolidou-se como um dos principais palcos de eventos do país, somando mais de 17,7 milhões de frequentadores em 2,3 mil eventos.