A Meta vai impor um limite diário de duas horas para crianças e adolescentes usarem Facebook e Instagram. A decisão da empresa faz parte de uma série de medidas que serão adotadas em razão de um acordo judicial feito nos Estados Unidos.
O limite imposto será cumulativo entre as duas redes sociais. Ou seja, o tempo de tela no Facebook será somado à utilização do Instagram até que as duas horas permitidas sejam atingidas e o bloqueio automático das plataformas aconteça. Por outro lado, ele poderá ser desativado por pais ou responsáveis dos adolescentes.
A empresa também afirma que o sistema de segurança das redes sociais identificará se um aparelho estiver utilizando múltiplas contas para burlar o limite, fazendo com que o bloqueio seja aplicado.
Outra mudança significativa está na possibilidade de escolha de um feed não algorítmico. Assim, os conteúdos que aparecerão para os usuários não serão personalizados pelos sistemas de recomendação. Pais e responsáveis poderão definir essa experiência como padrão para os adolescentes.
Além disso, a Meta anunciou um “Modo Noturno”. Entre meia-noite e 6 horas da manhã, seus aplicativos estarão bloqueados para o acesso, publicação ou visualização de menores de idade. A determinação é uma evolução do que já acontece. As plataformas deixarão de apenas silenciar as notificações para bloquear completamente o acesso durante esse período.
O uso contínuo também será monitorado pelas redes sociais. A cada 15 minutos de uso do Facebook ou Instagram, os adolescentes receberão uma notificação para alertar sobre o tempo de tela. Durante o horário escolar, entre 8 horas e 15 horas, as notificações serão silenciadas, exceto aquelas relacionadas a mensagens diretas e alertas de segurança da conta.
Os pais também terão controle sobre a “reprodução automática” de vídeos na plataforma. Para desativá-la, a fim de que conteúdos indesejados não sejam oferecidos aos menores de idade, os responsáveis pelas crianças e adolescentes terão que acessar as configurações das plataformas para alterá-la.
A contagem de curtidas e compartilhamentos ficará oculta para menores de idade e a Meta afirmou que está desenvolvendo sua tecnologia para identificar usuários que tenham entre 13 e 17 anos, mas que tenham fornecido a idade de um adulto.
Todas essas atualizações das plataformas da Meta vão ao encontro de um acordo judicial que fez com a Justiça dos Estados Unidos. Vinte e nove estados do país moveram ações contra a empresa em função da segurança infantil nas redes sociais. Ficou estipulado o pagamento de 18 bilhões de dólares aos estados ao longo de dez anos.
Em razão disso, a Meta publicou uma carta aberta conclamando YouTube e TikTok a participarem das mudanças adotadas. Caso essas empresas não implementem medidas semelhantes, cerca de 30% do valor do acordo, aproximadamente 5,3 bilhões de dólares, não será pago aos estados.
“Todas as plataformas devem capacitar os pais e apoiar os adolescentes implementando as mesmas medidas, porque sabemos que quando os adolescentes são restringidos em um aplicativo, eles simplesmente migram para outro”, publicou a Meta.


