As teias de aranha são tão resistentes a ponto de serem capazes de parar um avião, e sua composição estrutural fornece resistência e elasticidade capazes de serem mais fortes do que um colete à prova de balas. Essas são afirmações retiradas de um estudo feito por pesquisadores brasileiros que tentam produzir em larga escala um novo material baseado na seda que os aracnídeos produzem.
Isso pode parecer um absurdo, mas não é. Segundo um grupo de pesquisadores brasileiros liderados por Elíbio Rech, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, de Brasília, dentro de alguns anos será possível manipular teias de aranha para fabricar diversos produtos, entre os quais estão fios biodegradáveis para sutura cirúrgica, coletes à prova de balas, para-choques de automóveis e até bagageiros e outros componentes plásticos de aviões.
“Esse novo biomaterial, fabricado com auxílio de ferramentas de biotecnologia e engenharia genética, poderá, em tese, ser utilizado para uma infinidade de aplicações que demandam flexibilidade, resistência e biodegradabilidade em um único material”, afirma Elíbio Rech.
“Nós já dominamos a tecnologia da produção de fios sintéticos de teias de aranha em laboratório. Nosso desafio agora é definir uma forma econômica, rápida e segura para sua produção em larga escala”, completa.
A iniciativa de produzir materiais baseados na composição da teia de aranha se dá pelas características desse material. Esses fios tecidos pelas aranhas são resistentes e elásticos ao mesmo tempo. Eles são tão fortes que poderiam parar um avião, como afirma Rech.
“Um cabo da espessura de uma caneta, tecido com fios de aranha, por exemplo, poderia ser usado para deslocar um avião grande, tipo Boeing, sem se romper”, diz e prossegue. “Sabemos que a seda das aranhas tem características de flexibilidade e resistência superiores às de qualquer material existente, inclusive o polímero Kevlar, usado para a fabricação de coletes à prova de balas”, completou.


