A destinação de uma receita milionária ampliou o descontentamento dos jogadores do Corinthians com a diretoria. Mesmo após receber recursos ligados à Neo Química Arena, o clube manteve pendências com o departamento de futebol. Os jornalistas Fábio Lázaro e Pedro Lopes, do UOL, revelaram a insatisfação nos bastidores.
O Corinthians recebeu aproximadamente R$ 11,2 milhões em rendimentos do Arena Fundo de Investimento Imobiliário. A quantia permitiria quitar uma parcela dos direitos de imagem, estimada em R$ 10 milhões. A gestão, porém, priorizou outros compromissos. Cerca de R$ 8 milhões cobriram prestações previdenciárias de junho a setembro do acordo com a Fazenda Nacional.
Em resposta ao UOL, o clube classificou a escolha como estratégica e afirmou buscar condições para cumprir suas obrigações de maneira sustentável. A reportagem também identificou compromissos com o fundo administrado pela Outfield e receitas vinculadas a operações com o Banco Daycoval. A preservação do parcelamento tributário pesou na decisão da diretoria.
O atraso nos direitos de imagem chegou a três meses na terça-feira (20 de outubro), quando venceu o pagamento referente a setembro. Os salários registrados em carteira estavam em dia naquela data. O clube também acumulava premiações pendentes da Libertadores e do Brasileirão. Para os atletas mais bem remunerados, os direitos de imagem podem representar metade dos ganhos totais.
As dificuldades de pagamento ao elenco se repetem desde maio. O cenário acompanha um déficit de R$ 278,7 milhões nos sete primeiros meses de 2026. Além das contas internas, o Corinthians enfrentava três proibições de registrar jogadores, relacionadas a dívidas de aproximadamente R$ 21,5 milhões. O balanço financeiro e as restrições ajudam a dimensionar os problemas enfrentados pelo departamento.
A crise também coincide com mudanças no comando do futebol. Marcelo Paz deixou o cargo na terça-feira e voltou ao CT Joaquim Grava nesta quinta-feira (22 de outubro) para se despedir. Atletas e funcionários reconheceram seu trabalho diante das limitações financeiras. Julio Cesar assumiu as funções do executivo.