O narrador esportivo Sérgio Maurício foi condenado pela Justiça de São Paulo a pagar uma indenização de R$ 10 mil por danos morais à deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). A decisão foi motivada por declarações consideradas transfóbicas, publicadas pelo jornalista nas redes sociais em 2025. Além da compensação financeira, o profissional deverá realizar uma nova retratação pública. A sentença foi proferida em primeira instância e ainda cabe recurso.
Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo e pelo Poder360, o processo teve origem em uma publicação feita por Sérgio Maurício na rede social X, antigo Twitter. Na ocasião, o narrador se referiu à parlamentar como “fake news humana” e utilizou a expressão “essa coisa” para mencioná-la.
A decisão foi proferida pela 6ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo. No entendimento da Justiça, as manifestações ultrapassaram os limites da liberdade de expressão e atingiram diretamente a dignidade da deputada. A sentença considerou que o jornalista utilizou deliberadamente a identidade de gênero de Erika Hilton, uma mulher trans, como instrumento de ridicularização pública, caracterizando uma ofensa passível de reparação por danos morais.
Após a repercussão inicial do episódio, Sérgio Maurício chegou a publicar um pedido de desculpas. Entretanto, a Justiça entendeu que a manifestação não foi suficiente para reparar os danos causados à imagem da parlamentar.
Por esse motivo, além de determinar o pagamento da indenização, a sentença estabeleceu a obrigação de uma nova retratação pública nos perfis pessoais do narrador.
De acordo com a determinação judicial, ele terá 15 dias, contados a partir da intimação oficial, para publicar a retratação no X ou no Instagram. Caso descumpra a medida, poderá receber uma multa diária de R$ 500, limitada inicialmente a R$ 15 mil. A obrigação busca assegurar uma manifestação pública diante da repercussão alcançada pelas declarações originais.
O episódio também provocou consequências na trajetória profissional do narrador. Na época da polêmica, Sérgio Maurício foi temporariamente afastado pela Band, emissora na qual era responsável pelas transmissões de Fórmula 1.
Em outubro de 2026, o profissional também encerrou definitivamente seu vínculo contratual com a Band. O narrador construiu parte importante de sua carreira na cobertura do automobilismo, tornando-se conhecido pelas transmissões da principal categoria do esporte a motor.
Além da ação cível, o caso possui um desdobramento na esfera criminal. A Polícia Federal abriu um inquérito, a pedido do Ministério Público Federal, para investigar a possível prática de transfobia. Essa apuração ocorre de maneira independente do processo de indenização e não representa, por si só, uma condenação criminal. A sentença cível ainda poderá ser contestada por meio de recurso.