“Até hoje eu sofro”: Athirson aponta decisão do Flamengo que mudou sua carreira

O ex-lateral Athirson voltou a falar sobre um episódio que, segundo ele, mudou os rumos de sua carreira. Revelado pelo Flamengo e campeão da Copa Mercosul de 1999 e dos Cariocas de 1999 e 2000, ele contou que ainda sente os efeitos de decisões tomadas quando vivia uma das melhores fases no clube.

Em entrevista ao Basticast, divulgada na quinta-feira (29 de outubro), o ex-jogador afirmou que tinha um pré-contrato para defender o Barcelona. Segundo seu relato, o então presidente rubro-negro, Edmundo Santos Silva, resistiu à saída por considerar o lateral uma referência do elenco.

“Edmundo Santos (então presidente do clube) falou que não podia me vender, que eu era o melhor e o maior jogador do elenco do Flamengo, ídolo. E me perguntou o que ele iria falar para a torcida. Eu respondi dizendo que fazia parte do processo de evolução, e precisava ir para a Europa para dar continuidade à minha carreira”.

Athirson disse que tentou convencer os dirigentes de que atuar na Europa seria importante para sua evolução. Sem conseguir seguir para o Barcelona, recebeu a oportunidade de defender a Juventus, da Itália. A transferência do Flamengo para o time italiano foi marcada por um conflito jurídico.

Na Itália, o jogador enfrentou outro momento difícil. Ele relatou que teve dengue hemorrágica e passou por um período de incerteza até a identificação da doença. De acordo com Athirson, os médicos chegaram a suspeitar de leucemia.

“A minha cabeça virou. De um atleta feliz, alegre, tudo se tornou um pesadelo. Isso me magoou muito porque me prejudicou emocionalmente. Passaram seis meses e eu só podia ir para o jogo se a minha plaqueta estivesse a 100 mil. Toda véspera do jogo eu ia para o hospital fazer exame e ficava esperando para saber se ia ou não (ser relacionado). Como a tua cabeça pode jogar assim?”, relembrou.

Athirson voltou ao Flamengo por empréstimo em 2002, depois de poucas oportunidades na Juventus, mas disse que não conseguiu recuperar a tranquilidade que tinha antes. Na avaliação dele, o impasse em sua saída e os problemas de saúde comprometeram seu desempenho e limitaram suas possibilidades, inclusive na seleção brasileira.

O ex-jogador chegou a imaginar que poderia disputar três Copas do Mundo se tivesse seguido outra trajetória. “Até hoje eu sofro de verdade”, desabafou. Apesar da mágoa, destacou que não culpa o Flamengo como instituição. Ele atribui sua frustração às pessoas envolvidas nas decisões e mantém gratidão pelo carinho recebido dos torcedores.

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