Acordos milionários da antiga gestão colocam Corinthians na mira do Ministério Público

O Corinthians voltou a ter decisões administrativas de gestões anteriores questionadas pelo Ministério Público de São Paulo. Desta vez, o órgão investiga negociações financeiras realizadas durante a presidência de Duílio Monteiro Alves, entre 2021 e 2023, envolvendo dívidas com empresários que mantinham relações comerciais com o clube.

A investigação tem como foco acordos milionários firmados com empresas ligadas aos agentes Carlos Leite e André Cury, que somam aproximadamente R$ 40 milhões. O Ministério Público apura se o Corinthians reconheceu e renegociou débitos que poderiam estar prescritos, provocando possíveis prejuízos aos cofres do Timão. A informação foi divulgada pelo UOL.

Um dos contratos analisados envolve a RC Consultoria & Assessoria Esportiva, ligada a Carlos Leite. Em novembro de 2023, o Corinthians renegociou uma dívida de R$ 22,7 milhões relacionada a operações envolvendo jogadores como Cássio, Fagner, Elias, Ramon Motta e Felipe.

Outros quatro acordos foram firmados em abril de 2023 com empresas ligadas a André Cury. As operações ultrapassam R$ 18 milhões e incluem pagamentos por direitos de imagem, intermediações de transferências e renegociação de empréstimos. Entre os atletas mencionados nos documentos estão Ederson, Otero, Cazares e Yago.

O promotor Cássio Roberto Conserino determinou que o Corinthians apresente, no prazo de dez dias, os documentos originais relacionados às dívidas. Também foram solicitados comprovantes de pagamentos, atas de reuniões, pareceres jurídicos e autorizações utilizadas para justificar as renegociações.

A intenção do Ministério Público é esclarecer a origem dos débitos, verificar se os valores ainda poderiam ser cobrados judicialmente e identificar os destinatários finais dos pagamentos. O procedimento também busca determinar se houve decisões administrativas capazes de comprometer o patrimônio do clube.

O caso amplia a pressão sobre antigas administrações do Corinthians. O Ministério Público já conduz outra investigação envolvendo 25 apontamentos de possíveis irregularidades na gestão da instituição, incluindo a análise de medidas judiciais relacionadas à administração e à proteção patrimonial do Timão.

Até o momento, a abertura do procedimento não representa comprovação de irregularidades ou responsabilização dos envolvidos. A investigação ainda deve esclarecer se as renegociações foram realizadas dentro dos parâmetros legais e se provocaram prejuízos financeiros ao Corinthians.

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