Em publicação no X, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, marcou o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e perguntou: “É verdade que vai ter Bloquinho 22 na Av. Paulista no dia 18/Out (domingo)???”. A data cai uma semana antes do segundo turno, em 25 de outubro, e não há confirmação oficial de horário, percurso ou organizadores.
O movimento ocorre num momento em que a campanha disputa espaço em várias frentes ao mesmo tempo: a agenda de debates, a Justiça Eleitoral, as redes sociais e o mapa de votos do primeiro turno.
O ponto de partida é uma eleição apertada. Flávio teve 47,03% dos votos válidos (56,1 milhões) e Lula, 45,16% (53,9 milhões), uma diferença de 2,2 milhões de votos. O país ficou dividido por regiões. Flávio levou o Norte (52,40% a 47,60%), o Sudeste (24,89 milhões de votos contra 19,23 milhões), o Sul e o Centro-Oeste. Lula foi o mais votado no Nordeste, com 21,49 milhões de votos contra 10,39 milhões de Flávio, vantagem de mais de 11 milhões. No saldo dos estados, Flávio venceu em 14 e Lula em 13.
O caso mais extremo foi Rondônia, onde Flávio teve 67,45% e ganhou nos 52 municípios, o único estado em que Lula perdeu em todas as cidades. Na capital, Porto Velho, o placar foi de 59,37% a 31,74%.
Nos debates, o cenário é de indefinição. A TV Record cancelou o confronto marcado para este domingo (11), alegando “incompatibilidade de agendas” sem detalhar quais compromissos impediram o evento, e não anunciou nova data. A campanha de Lula diz que ele confirmou presença em todos os debates do segundo turno e só faltaria se os veículos cancelassem. A equipe de Flávio, que havia sinalizado interesse em debater, não confirmou participação após o cancelamento.
No primeiro turno houve só um debate na TV, na Band, em 23 de agosto, sem Lula nem Flávio. O presidente decidiu não ir, e Flávio condicionou a presença à do adversário. A Globo já definiu sua programação: sabatinas com Renata Lo Prete em 15 de outubro (Lula) e 16 de outubro (Flávio), e debate final em 23 de outubro, mediado por César Tralli, dois dias antes da votação.
A disputa também chegou à Justiça Eleitoral. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, mandou retirar do ar inserções da propaganda de Lula que associavam Flávio e o candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL-RN), a denúncias envolvendo o Banco Master. A decisão cita o artigo 242 da Lei Eleitoral, que veda difamar, caluniar ou injuriar.
Segundo o ministro, o material trazia “imputações criminais desprovidas de lastro mínimo”. Ele afirmou ainda que usar o horário eleitoral gratuito para isso desequilibraria a disputa.
Nas redes, o levantamento do Projeto Brief mostra que Lula passou a superar Flávio em engajamento depois do primeiro turno. Ele chegou a 9,9 milhões de interações em um único dia, impulsionado por um vídeo no Instagram que convocava a militância para ir às ruas e passou de 27 milhões de visualizações. Flávio, que liderava as interações diárias, tinha atingido pico de 5,5 milhões na véspera da votação.


