A discussão sobre a qualidade dos campos do futebol brasileiro pode trazer mudanças importantes para os clubes que mandam seus jogos em gramados artificiais. A CBF pretende debater a utilização dessas superfícies com dirigentes das equipes, incluindo a possibilidade de estabelecer restrições ou até proibir esse tipo de piso nas competições nacionais.
Segundo o jornalista Pedro Ivo Almeida, da ESPN, o assunto faria parte de uma reunião sobre a criação de uma liga e a infraestrutura dos estádios. O encontro estava previsto para terça-feira (3 de novembro), mas foi adiado. Na mesma data, representantes do futebol participarão de uma audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a proibição das casas de apostas. Ainda não há nova data para a reunião com a CBF.
Nenhuma proibição foi aprovada até o momento. Qualquer mudança precisaria considerar normas técnicas, prazos de adaptação e investimentos necessários. A questão também envolve clubes que utilizam seus estádios para eventos além das partidas de futebol.
O Flamengo está entre os principais defensores do fim dos campos sintéticos. Em dezembro de 2025, o clube enviou à CBF uma proposta para substituir essas superfícies na Série A até o final de 2027 e na Série B até o final de 2028. O documento também pede padrões mínimos de qualidade para os gramados naturais e artificiais durante a transição.
A posição rubro-negra leva em conta a preocupação com o desgaste dos jogadores e a recuperação física entre os jogos. A relação entre o tipo de piso e o número de lesões, no entanto, segue em discussão. Estudos analisados anteriormente pela CBF não apontaram grandes diferenças nos índices de lesões entre as superfícies.
Do outro lado, Palmeiras, Botafogo, Atlético-MG, Athletico-PR e Chapecoense já defenderam publicamente a utilização de gramados artificiais. Uma eventual decisão teria impacto no planejamento desses clubes, que investiram nesse tipo de estrutura.
Enquanto o debate continua, o Maracanã se prepara para uma mudança em 2027. Administrado por Flamengo e Fluminense, o estádio deverá trocar a grama Bermuda Celebration pela Celebration Hybrid, variedade escolhida para suportar melhor o calendário de partidas e facilitar a manutenção do campo.