Fim da escala 6×1 também vai afetar os jogadores de futebol

O fim da escala 6×1 no Brasil deve provocar mudanças também nos clubes de futebol. Além das partidas, a rotina de um jogador profissional envolve treinamentos, viagens e concentrações, atividades que precisam ser consideradas na organização da jornada de trabalho.

A Emenda Constitucional nº 141, promulgada em 16 de outubro de 2026, prevê dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução salarial. A nova regra de descanso começa a valer em dezembro, dois meses após a publicação. A jornada máxima será reduzida inicialmente de 44 para 42 horas semanais e, depois, para 40 horas.

A mudança alcança os atletas que mantêm vínculo empregatício com os clubes. Pela Lei Geral do Esporte, a jornada regular dos jogadores de futebol era de 44 horas semanais. Agora, as equipes terão de conciliar as novas garantias constitucionais com as particularidades da profissão.

Um dos pontos mais importantes envolve o que pode ser considerado folga. Especialistas em direito esportivo ouvidos pelo portal Lei em Campo avaliam que ficar sem treinar não representa descanso efetivo quando o jogador continua cumprindo determinações do clube, como compromissos obrigatórios durante viagens e concentrações.

O calendário também deve pesar nessa adaptação. Equipes que disputam campeonatos estaduais, Brasileirão, Copa do Brasil e competições continentais enfrentam sequências de partidas com pouco intervalo. Nesse cenário, o rodízio entre titulares e reservas pode ganhar importância para preservar os períodos de recuperação.

A emenda permite acordos e convenções coletivas para distribuir as folgas de maneira diferente. Nesses casos, será necessário garantir uma média de dois dias de descanso por semana dentro do mês, com pelo menos uma folga a cada sete dias.

Segundo o Lei em Campo, o Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo já negocia uma convenção coletiva sobre jornada e descanso. O presidente da entidade, Rinaldo Martorelli, questiona a intenção dos clubes de disputar diversas competições utilizando repetidamente os mesmos jogadores.

A legislação ainda prevê condições específicas para empregados com diploma de ensino superior e remuneração elevada, sem afastar a garantia constitucional de repouso. A aplicação prática das mudanças aos atletas deverá envolver negociações entre clubes, sindicatos e representantes dos jogadores.

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