Atlético-MG: o que mudou na participação de Daniel Vorcaro na SAF?

A estrutura da SAF do Atlético-MG passou por uma mudança importante em 2026. O clube recebeu um novo aporte financeiro dos principais acionistas, em uma operação que busca reduzir as dívidas e aliviar o peso dos juros nas contas. A movimentação também alterou a participação de cada investidor na empresa que administra o futebol alvinegro.

Daniel Vorcaro, que já teve uma fatia de 20,2% da SAF, viu sua participação ser diluída após a entrada de novos recursos. Com isso, o grupo de acionistas minoritários do qual ele faz parte passou a representar 6,5% do capital da empresa. Isso não significa, porém, que toda essa porcentagem pertença exclusivamente ao empresário.

O aporte aprovado em maio movimentou R$ 530 milhões. Desse valor, R$ 436,9 milhões foram investidos por Rubens e Rafael Menin, enquanto o restante veio do Fundo de Investimentos do Galo (FIGA). A maior parte do dinheiro foi destinada ao pagamento de dívidas bancárias, que geram despesas elevadas para o clube.

Na prática, quando uma empresa recebe um novo investimento e um acionista não coloca dinheiro na mesma proporção, sua participação pode diminuir. Foi o que aconteceu na SAF atleticana: a família Menin aumentou sua fatia, enquanto a porcentagem ligada a Vorcaro perdeu espaço. Com a nova divisão, Rubens e Rafael Menin passaram a deter, juntos, 83,5% das ações, enquanto a associação civil do Atlético ficou com 10%.

A situação de Vorcaro também precisa ser entendida dentro de outro contexto. O empresário foi afastado do Conselho de Administração da SAF em novembro de 2025, após ser preso no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master. O afastamento do conselho, por si só, não significou que ele tivesse perdido automaticamente suas ações.

A ligação do empresário com o Atlético ocorreu por meio do Galo Forte FIP, fundo que investiu R$ 300 milhões na estrutura da SAF. Depois, com a entrada de novos recursos dos acionistas majoritários, a participação desse grupo foi reduzida em relação ao total de ações da empresa.

O aporte também teve como objetivo diminuir a pressão financeira sobre o clube. Segundo o CEO Pedro Daniel, o Atlético gastou quase R$ 300 milhões com juros bancários em 2025. Reduzir esse custo é uma das prioridades da reorganização financeira.

Assim, Vorcaro não simplesmente perdeu todas as ações que tinha no Atlético. O que ocorreu foi uma redução proporcional de sua participação após o aumento de capital da SAF. Enquanto isso, a família Menin ampliou o controle sobre a empresa responsável pelo futebol do Galo.

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