O Flamengo tenta reverter a eliminação para o Estudiantes e garantir presença na final da Libertadores contra o Palmeiras. Para isso, questiona a escalação do zagueiro Marcos Rojo na semifinal e busca argumentos no histórico de decisões disciplinares da Conmebol. Dois casos envolvendo clubes brasileiros, Santos e Chapecoense, ajudam a entender os caminhos que o Rubro-Negro pode explorar na contestação.
Em 2018, o Santos foi eliminado da Libertadores após a entidade sul-americana punir o clube pela escalação de Carlos Sánchez contra o Independiente, da Argentina. O meio-campista ainda tinha uma suspensão pendente de uma competição anterior, e a Conmebol transformou o empate por 0 a 0 no jogo de ida em derrota santista por 3 a 0.
O episódio teve impacto direto no confronto. Na partida de volta, as equipes empataram novamente sem gols, resultado que confirmou a eliminação do Peixe. O caso passou a ser uma referência quando se discute a responsabilidade dos clubes de verificar a situação disciplinar dos atletas antes de colocá-los em campo.
A Chapecoense enfrentou um cenário semelhante um ano antes. Em 2017, o time catarinense venceu o Lanús por 2 a 1, mas escalou Luiz Otávio, que ainda precisava cumprir suspensão. Após analisar o caso, a Conmebol anulou o resultado e atribuiu vitória por 3 a 0 à equipe argentina. A punição prejudicou a campanha da Chapecoense na fase de grupos.
Para o Flamengo, os dois episódios são relevantes porque mostram como a Conmebol já tratou situações em que a participação de um jogador foi considerada irregular. A defesa rubro-negra pode usar essas decisões para argumentar que eventuais infrações às regras da competição precisam ter consequências esportivas, e não apenas administrativas.
O ponto central, entretanto, está nas diferenças entre os casos. Sánchez e Luiz Otávio tinham suspensões pendentes quando foram escalados. Rojo, por sua vez, entrou em campo após obter uma autorização provisória do Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), mesmo diante da rejeição inicial de sua inscrição pela Conmebol.
Essa circunstância torna a discussão mais complexa. A entidade precisará avaliar o alcance da decisão do tribunal e se a autorização provisória impede a aplicação de uma sanção esportiva ao Estudiantes. Não basta, portanto, demonstrar que houve uma contestação sobre a situação do defensor argentino: é necessário estabelecer quais regras se aplicavam ao caso e se foram descumpridas.