O Flamengo aprovou uma readequação orçamentária para 2026 e passou a projetar um déficit de R$ 40 milhões, contrariando a previsão inicial de superávit de R$ 180 milhões. A mudança de R$ 220 milhões nas estimativas financeiras foi aprovada pelo Conselho de Administração, em uma reunião marcada por discussões políticas na Gávea.
A votação terminou com 41 votos favoráveis, seis contrários e duas abstenções. A revisão das contas reflete os investimentos realizados ao longo da temporada e a frustração de receitas que estavam previstas no planejamento original da diretoria liderada pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap.
Segundo o comunicado oficial do Mengão, um dos principais fatores para a alteração foi a contratação de Lucas Paquetá. A aquisição dos direitos econômicos do jogador, realizada no início do ano, teve impacto significativo sobre o orçamento de 2026 e aumentou as despesas previstas.
Os resultados esportivos também influenciaram a mudança. As eliminações na Libertadores, diante do Estudiantes, e na Copa do Brasil reduziram as receitas esperadas com premiações e bilheteria. Os vice-campeonatos da Recopa e da Supercopa também ficaram abaixo das metas estabelecidas.
Outro problema foi a arrecadação com transferências de jogadores. O clube não conseguiu atingir os valores inicialmente projetados, situação agravada pelo cancelamento da venda de Gonzalo Plata. Além disso, a negociação dos direitos de nome do Maracanã não foi concretizada, apesar do crescimento de 20% nas receitas do estádio.
Mesmo diante do cenário negativo, a diretoria destacou a evolução das receitas recorrentes e previsíveis, que cresceram 20%. O clube também informou que sua alavancagem financeira corresponde a 1,2 vez o EBITDA recorrente, índice considerado administrável pela gestão.
A reunião teve críticas da oposição e contou com a presença do ex-presidente Rodolfo Landim, que retornou às atividades políticas no clube após obter autorização judicial.
Para 2027, o planejamento prevê maior controle das despesas, cautela nas contratações e prioridade à negociação de atletas na janela do meio do ano. A diretoria pretende recuperar o equilíbrio orçamentário sem comprometer a competitividade do elenco.