As entrevistas coletivas dos treinadores do Campeonato Brasileiro também podem revelar diferenças na maneira como os profissionais se comunicam. Um levantamento do Bolavip Brasil analisou declarações de técnicos da Série A ao longo da temporada para comparar a frequência de referências individuais e coletivas nas falas após as partidas.
Abel Ferreira, do Palmeiras, lidera o ranking de treinadores que mais recorrem à primeira pessoa do singular. Segundo o estudo, expressões associadas ao “eu” representam 60,71% das ocorrências contabilizadas nas entrevistas do português, que aparece à frente de Rafael Lacerda, da Chapecoense, e Fernando Diniz, ex-Corinthians.
O treinador palmeirense registrou 1.326 referências à primeira pessoa do singular em um total de 2.184 ocorrências analisadas. O índice supera em 8,62 pontos percentuais o resultado de Rafael Lacerda, segundo colocado, com 52,09%. Fernando Diniz aparece na terceira posição, com 47,72%, enquanto Leonardo Jardim, do Flamengo, ocupa o quarto lugar, com 45,43%. Rogério Ceni, do Bahia, fecha a lista dos cinco primeiros, com 41,05%.
O levantamento examinou 150 entrevistas coletivas de 15 treinadores, com dez participações de cada profissional. Para chegar aos resultados, o Bolavip Brasil transcreveu as declarações e utilizou ferramentas de programação e inteligência artificial para identificar pronomes e verbos conjugados na primeira pessoa do singular e do plural. A análise buscou comparar a frequência com que os técnicos citam a si mesmos ou fazem referências coletivas ao grupo.
A média dos profissionais avaliados foi de 36,5% de ocorrências relacionadas à primeira pessoa do singular. Abel ficou 24,2 pontos percentuais acima desse resultado. Nas entrevistas do português, as referências individuais corresponderam a 60,7% dos registros, enquanto as coletivas representaram 39,3%.
Na direção oposta, Eduardo Domínguez, do Atlético-MG, apresentou o maior índice de referências à primeira pessoa do plural entre os treinadores analisados. O argentino registrou 62,3% de ocorrências associadas ao “nós”, resultado que indica maior presença de expressões coletivas em suas declarações.
O estudo considerou apenas técnicos com participação mínima e material suficiente nos canais oficiais dos clubes no YouTube. Tite, Renato Gaúcho, Eduardo Baptista, Marcão e Thiago Carpini ficaram fora da amostra por não atenderem aos critérios estabelecidos.
Os resultados se limitam à frequência de referências individuais e coletivas nas entrevistas e não avaliam as intenções dos treinadores ao escolher determinadas expressões.