O Corinthians voltou a ser alvo de questionamentos sobre sua administração após novas denúncias envolvendo os bastidores do clube. Em meio à disputa política pela presidência e às mudanças na diretoria, problemas relacionados à gestão do Parque São Jorge passaram a ganhar repercussão, com relatos sobre a falta de organização interna e conflitos entre profissionais.
Marcelo Munhoes, ex-diretor de tecnologia do Timão, revelou que entregou ao presidente Osmar Stabile um documento de 15 páginas com denúncias de assédio moral, insultos, desrespeito à hierarquia e interferências nos departamentos. Em entrevista ao canal Voz da Arquibancada FC, o ex-dirigente afirmou que não houve providências efetivas após a formalização dos problemas.
— Entreguei ao presidente um documento oficial de 15 páginas relatando problemas comportamentais, assédio moral, insultos, desrespeito à hierarquia e situações em que pessoas passavam por cima dos departamentos, prejudicando o funcionamento do clube. Documentei tudo por e-mail e entreguei o material ao presidente, porque a situação era grave.
Entre os pontos apresentados, Munhoes destacou o uso de ferramentas tecnológicas sem autorização do departamento responsável. Segundo ele, recursos gratuitos vinculados a contas pessoais acessavam sistemas corporativos por meio de inteligência artificial, utilizando credenciais do Corinthians. A prática, conhecida como Shadow IT, pode expor informações institucionais a riscos de segurança.
O ex-dirigente também apontou o superintendente administrativo Ricardo Okabe como responsável pela iniciativa. Munhoes afirmou que a área de tecnologia não foi consultada e que houve orientação para que o departamento não fosse informado sobre o uso das ferramentas.
— O responsável por isso é o senhor Okabe. Mandei um e-mail na época e tenho tudo documentado. A resposta foi que a situação continuou. Depois, conseguimos bloquear a ferramenta e começamos a avaliar o que poderia ser feito para ajudar.
Além das questões administrativas, o ex-diretor abordou o combate ao cambismo no programa Fiel Torcedor. Segundo ele, a implementação do reconhecimento facial contribuiu para reduzir as fraudes em aproximadamente 90%. Apesar dos avanços, Munhoes relatou resistência interna ao trabalho e afirmou que parte das irregularidades estaria relacionada à própria estrutura do clube.
O ex-dirigente também relacionou sua saída a disputas políticas. Demitido em 15 de outubro, após apoiar a chapa de Rozallah Santoro na eleição presidencial, ele afirmou que esperava uma conversa antes do desligamento e lamentou a forma como perdeu o cargo. O Corinthians ainda não havia apresentado, na entrevista citada, um posicionamento específico sobre as novas acusações.