O planejamento do Flamengo para 2027 começou a mudar antes mesmo do fim da temporada atual. Depois de um ano marcado por investimentos elevados e receitas abaixo das expectativas, a diretoria decidiu rever a maneira de buscar reforços. A nova orientação foi apresentada pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, durante uma reunião com conselheiros.
A prioridade será contratar jogadores livres no mercado, evitando gastos com transferências. A ideia é oferecer salários competitivos para atrair atletas em fim de contrato, especialmente na primeira janela de 2027. Jorginho e Danilo são exemplos de contratações anteriores nesse modelo.
A mudança acontece após o Flamengo revisar suas contas de 2026. O orçamento, que inicialmente previa superávit de R$ 180 milhões, passou a projetar déficit de R$ 40 milhões. A diferença de R$ 220 milhões levou a administração a reconhecer problemas no planejamento financeiro e adotar uma postura mais cautelosa.
Entre os motivos apresentados estão a contratação de Lucas Paquetá, por R$ 315 milhões, e receitas que não chegaram aos cofres do clube. A negociação de Gonzalo Plata com o Dínamo de Moscou não foi concluída, enquanto a expectativa de vender os direitos de nome do Maracanã também não se concretizou.
Os resultados esportivos agravaram a situação. O Flamengo ficou com os vice-campeonatos da Supercopa do Brasil e da Recopa Sul-Americana, além das eliminações na Copa do Brasil e na semifinal da Libertadores. Essas campanhas reduziram a arrecadação com premiações em relação ao planejamento inicial.
Para recuperar parte dos recursos, Bap também pretende aumentar as vendas de jogadores. A meta apresentada gira em torno de 40 milhões a 45 milhões de euros, com a intenção de preservar atletas considerados importantes para a equipe. O plano envolve reduzir gastos nas contratações e ampliar receitas com negociações.
Em comunicado oficial, o Flamengo afirmou que o endividamento permanece em um nível considerado confortável pela gestão, apesar da revisão orçamentária. A reunião também expôs divergências políticas, com críticas do ex-presidente Rodolfo Landim à administração. A nova política de contratações será um dos pontos centrais do planejamento rubro-negro para 2027.