Um processo movido por um ex-funcionário do Flamengo, que participou do resgate de vítimas do incêndio no Ninho do Urubu, teve um novo desdobramento na Justiça. Após mais de quatro anos de disputa, o clube viu ser rejeitada uma nova tentativa de reverter a condenação favorável a Benedito Ferreira.
A decisão assegura ao ex-segurança uma indenização estimada em R$ 580 mil, além de uma pensão vitalícia, prevista até os 78 anos. O acórdão foi publicado em 26 de outubro. Na quarta-feira (4 de novembro), os desembargadores rejeitaram um agravo interno apresentado pelo Flamengo.
Ao analisar o caso, a Terceira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região elevou de R$ 100 mil para R$ 150 mil a indenização por danos morais. Outros R$ 430 mil compõem o valor informado da condenação. Desse total, devem ser descontados R$ 20 mil pagos anteriormente em um acordo extrajudicial que acabou anulado. Há ainda R$ 8,6 mil em custas processuais.
O clube conseguiu uma alteração no cálculo da pensão, que deverá considerar apenas o salário-base mensal do ex-empregado. Na sentença de primeira instância, proferida em julho de 2025, a Justiça havia estabelecido R$ 600 mil em indenizações e determinado que Benedito fosse reintegrado ao quadro de funcionários. O Flamengo recorreu.
Benedito trabalhou para o Rubro-Negro entre 2008 e 2022. Durante o incêndio de 8 de fevereiro de 2019, ajudou a retirar vítimas do alojamento das categorias de base. Dez jovens morreram na tragédia. Posteriormente, o antigo segurança passou a enfrentar problemas de saúde mental e buscou reconhecimento judicial da relação entre seu afastamento e o episódio.
A perícia identificou transtornos depressivo, de adaptação e de pânico, além de apontar ligação entre as condições de saúde e o trabalho. O laudo também registrou restrições para que Benedito volte a exercer a função de segurança ou atividades semelhantes. A Justiça considerou irregular sua demissão enquanto estava em tratamento médico.