Na noite da última quarta-feira, 14 de outubro de 2026, o Senado Federal aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a jornada de trabalho na escala 6×1 e reduz o limite semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial.
O texto, que assegura dois dias de descanso remunerado por semana e estabelece uma transição gradual, foi aprovado em dois turnos por 75 votos a favor e 1 contrário (do senador Hamilton Mourão). Como não houve alterações em relação ao texto aprovado pela Câmara dos Deputados em maio, a proposta segue para promulgação.
Entre os votos favoráveis esteve o do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar cumpria agenda de campanha em Porto Alegre (RS) e registrou seu voto de forma remota, aproveitando o formato semipresencial adotado pela sessão.
Apesar de ter registrado voto favorável, a atuação de Flávio Bolsonaro ao longo da tramitação foi marcada por ausências e mudanças de posicionamento. O senador não esteve presente nem participou de nenhuma das cinco sessões semipresenciais de discussão do projeto no Senado, registrando presença apenas no momento de votar.
Durante a campanha, ele se posicionou contra o texto e chegou a classificá-lo como “oportunista”. Como alternativa, defendeu um modelo de jornada flexível negociado entre empregado e empregador, com pagamento por horas e possibilidade de redução salarial proporcional, proposta que também apresentou em agosto durante encontro com empresários na Fiesp.
A alteração do discurso ocorreu na terça-feira (13), após visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, Flávio anunciou que votaria a favor da matéria, declarando que, apesar de ter ressalvas, seu voto seguiria a vontade da maioria do povo trabalhador. Ele declarou também que a conta dessa compensação financeira deveria ser bancada pelo governo, sob a justificativa de que os empresários já estariam sufocados.