O Flamengo corre o risco de perder um dos maiores contratos de patrocínio do futebol brasileiro. A parceria com a Betano, avaliada em aproximadamente R$ 268,5 milhões por temporada, enfrenta um cenário de incerteza após a medida provisória do Governo Federal que proibiu as apostas esportivas no Brasil. O acordo tem validade até dezembro de 2028, mas uma cláusula contratual permite o rompimento antecipado em caso de mudanças na legislação.
Segundo o jornalista Rodrigo Mattos, do UOL, Flamengo e Betano se reuniram em setembro e decidiram manter o contrato em espera até uma definição sobre a proibição das apostas. Na ocasião, a empresa não demonstrou interesse em rescindir imediatamente a parceria, apesar de possuir essa possibilidade prevista no acordo.
A situação financeira do Flamengo em 2026 não foi diretamente comprometida pelos pagamentos da patrocinadora, uma vez que a Betano já havia quitado aproximadamente R$ 268 milhões referentes à temporada. O último repasse ocorreu em 10 de setembro, antes da publicação da medida provisória.
Entretanto, a preocupação da diretoria está concentrada em 2027. Ainda segundo Rodrigo Mattos, o Flamengo contava com um pagamento de aproximadamente R$ 120 milhões da Betano em janeiro, valor considerado no planejamento financeiro do clube. Entre os compromissos previstos estão parcelas de contratações de jogadores como Lucas Paquetá, Samuel Lino e Gonzalo Plata.
O problema ganhou novos desdobramentos na terça-feira (3 de novembro), quando representantes do Flamengo participaram de uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, o vice-presidente Flávio de Araújo Willeman questionou os impactos da proibição sobre contratos assinados durante a vigência da regulamentação anterior.
O clube estima que as restrições possam provocar perdas de aproximadamente R$ 430 milhões por ano, considerando diferentes fontes de receitas ligadas ao setor de apostas. O impacto também pode atingir o financiamento do futebol feminino, das categorias de base e das modalidades olímpicas.
A discussão jurídica continua sob a relatoria do ministro Luiz Fux, enquanto o Congresso Nacional também analisa a medida provisória.