Uma decisão do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, pode provocar um prejuízo de aproximadamente R$ 250 mil aos cofres do Flamengo. O dirigente determinou a manutenção de uma manifestação no uniforme rubro-negro durante a Libertadores, apesar de uma advertência feita pela Conmebol antes da partida.
O episódio ocorreu em 22 de outubro, durante o confronto contra o Estudiantes, no Maracanã, pela semifinal da competição continental. Segundo o jornalista Gilmar Ferreira, a entidade sul-americana tentou impedir que os jogadores entrassem em campo com uma mensagem de protesto.
O delegado responsável pela partida informou aos representantes do Flamengo que a iniciativa poderia resultar em sanções previstas no regulamento. A orientação não alterou o posicionamento da diretoria.
Por determinação de Bap, o clube manteve a frase “Proibir não é proteger” estampada na região central da camisa, espaço anteriormente ocupado pela marca da Betano.
A manifestação estava relacionada à Medida Provisória nº 1.394/2026, editada pelo Governo Federal em 25 de setembro. A norma proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa e jogos online em território brasileiro.
A mudança atingiu diretamente empresas que mantinham contratos comerciais com clubes de futebol. O Flamengo estava entre os afetados, já que a Betano ocupava o espaço de patrocinador máster.
Bap já havia demonstrado publicamente sua oposição à medida. O presidente rubro-negro se posicionou contra as restrições ao setor, que representava uma fonte de receitas para diferentes equipes do futebol nacional.
O protesto não começou na Libertadores. Em 8 de outubro, o Flamengo já havia utilizado a mesma mensagem durante a partida contra o Santos, na Vila Belmiro, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Na ocasião, a iniciativa fez parte de uma manifestação relacionada às mudanças nas regras das apostas. A frase também apareceu em placas publicitárias utilizadas em partidas do futebol brasileiro.
A situação ganhou consequências diferentes diante do Estudiantes. Por se tratar de uma competição organizada pela Conmebol, o Flamengo estava submetido às normas comerciais estabelecidas pela entidade.
O artigo 67 do Regulamento Comercial e de Marketing foi citado pelo delegado da partida ao alertar o clube sobre as possíveis consequências da manifestação.
Mesmo diante da advertência, a diretoria manteve a decisão. A Conmebol abriu posteriormente um processo administrativo para analisar a conduta rubro-negra.
De acordo com as informações divulgadas por Gilmar Ferreira, a multa pode variar entre US$ 5 mil e US$ 50 mil, valores equivalentes a aproximadamente R$ 25 mil e R$ 250 mil.
A abertura do processo também não representa uma condenação automática. A entidade precisará analisar a infração antes de determinar uma eventual punição.
O caso acontece em um momento de divergências entre Flamengo e Conmebol. O clube também questionou a participação do zagueiro Marcos Rojo pelo Estudiantes na semifinal da Libertadores, após uma disputa sobre as condições de inscrição do jogador argentino.
A controvérsia começou quando o Estudiantes tentou registrar o defensor para a fase decisiva da competição. Rojo havia deixado o Racing e chegou ao novo clube depois do encerramento da janela de transferências na Argentina. A equipe de La Plata pretendia utilizar uma exceção regulamentar para substituir o lesionado Gabriel Neves.
Inicialmente, a Conmebol rejeitou a inscrição do jogador. O Estudiantes recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), que concedeu uma autorização provisória em 21 de outubro, permitindo a participação do zagueiro na partida de volta contra o Flamengo.
Rojo entrou em campo no Maracanã, e o confronto terminou empatado sem gols. Após a igualdade também no primeiro jogo, o Estudiantes conquistou a classificação nos pênaltis.
O Flamengo apresentou uma reclamação formal em 23 de outubro, alegando que a participação do defensor poderia representar uma escalação irregular. O clube pediu que o adversário fosse declarado derrotado por 3 a 0, resultado que colocaria os brasileiros na decisão da Libertadores.
A argumentação rubro-negra utilizou precedentes envolvendo clubes brasileiros. Um deles foi o Santos, punido em 2018 pela escalação irregular de Carlos Sánchez contra o Independiente. Outro caso citado foi o da Chapecoense, que perdeu pontos após utilizar Luiz Otávio em situação irregular.
A Comissão Disciplinar da Conmebol rejeitou integralmente a reclamação do Flamengo em 28 de outubro. A entidade também negou as medidas cautelares solicitadas pelo clube.
Em nota oficial, o Flamengo informou que recebeu a decisão com tranquilidade e que acompanharia os desdobramentos do processo no TAS. A diretoria considera que a Conmebol mudou seu entendimento inicial sobre a situação do jogador.
O julgamento do mérito do caso Rojo no tribunal esportivo está previsto para 12 de novembro. Enquanto isso, o Estudiantes permanece classificado para enfrentar o Palmeiras na final da Libertadores, marcada para 28 de novembro, em Montevidéu.
O Flamengo também apresentou um pedido para impedir temporariamente a comercialização dos ingressos destinados às torcidas dos finalistas até a definição do processo. A solicitação representa uma tentativa de preservar os efeitos de uma eventual decisão favorável no tribunal.