O vínculo de Carlos Belmonte com o departamento de futebol do São Paulo chegou ao fim nesta sexta-feira (28), encerrando um ciclo iniciado em 2021, ainda na gestão do presidente Julio Casares. A saída ocorreu menos de 24 horas após a goleada sofrida por 6 a 0 diante do Fluminense, no Maracanã, pela 36ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Além de Belmonte, os profissionais Nelson Marques Ferreira e Fernando Bracalle Ambrogi, que também integravam a equipe da diretoria de futebol, foram desligados. Segundo comunicado oficial, Rui Costa, executivo de futebol, e Muricy Ramalho, coordenador técnico, permanecem no comando do setor e seguem responsáveis pelo planejamento da temporada 2026.
Embora o São Paulo esteja na zona de classificação para a fase preliminar da Libertadores, a crise que atinge o clube vai além do campo. A instituição acumula uma dívida bilionária, convive com mais de uma dezena de jogadores no departamento médico e enfrenta atrasos no pagamento de direitos de imagem, com pendências que já somam dois meses. O cenário turbulento intensificou a pressão sobre a atual gestão.
A relação entre Belmonte e Casares já estava desgastada há algum tempo. Divergências políticas e estratégicas, sobretudo após a última eleição no clube, contribuíram para o afastamento do ex-diretor, que deixou de frequentar partidas recentemente. Um dos únicos jogos em que compareceu foi o clássico contra o Corinthians. A presença crescente de Márcio Carlomagno no CT, superintendente de futebol e cotado como possível sucessor de Casares, também teria agravado o clima interno.
Enquanto isso, parte da oposição se movimenta para pressionar Casares a renunciar ao cargo. Um abaixo-assinado liderado por conselheiros já conta com o apoio de pelo menos 50 assinaturas e pode ganhar adesão de membros da situação, inclusive do grupo político de Belmonte.
A derrota para o Fluminense, a maior da história do confronto entre as equipes, provocou fortes reações no clube. Após o apito final, o volante Luiz Gustavo desabafou publicamente:
“Está na hora de o São Paulo começar a colocar as caras. Quem precisa colocar, assumir responsabilidade, todo mundo tem responsabilidade, assumir de cima para baixo para que esse time volte a ser grande no futebol.”
Rui Costa, que estava no Maracanã, se pronunciou após a partida e lamentou o momento vivido:
“Vergonha, vestiário em silêncio, e peço desculpas ao torcedor.”
O presidente Julio Casares, por sua vez, não se manifestou oficialmente sobre o abaixo-assinado ou sobre os protestos realizados nos muros do Morumbis, que amanheceram pichados com mensagens de repúdio como “Acabou a paciência”.
Por fim, o São Paulo tem dois compromissos restantes no Brasileirão: enfrenta o Internacional no domingo (03 de dezembro), às 20h (horário de Brasília), e visita o Vitória na quinta-feira (07 de dezembro), às 16h (horário de Brasília).


