A eliminação do Vasco para o Boca Juniors na Copa Sul-Americana ganhou um capítulo importante fora das quatro linhas. Um dos responsáveis pela classificação argentina precisou recorrer a um tratamento médico pouco convencional para conseguir entrar em campo no Maracanã.
O volante Leandro Paredes, autor do terceiro gol da vitória por 3 a 1 sobre o clube carioca, utilizou uma técnica conhecida como plasma rico em plaquetas (PRP). O procedimento utiliza componentes do próprio sangue do paciente e tem como objetivo estimular a recuperação de tecidos lesionados.
O argentino sofreu uma lesão muscular de grau 2 na parte posterior da coxa em 9 de outubro, durante uma partida contra o Instituto, pelo Campeonato Argentino. Esse tipo de problema costuma exigir de quatro a seis semanas de recuperação.
Apesar da previsão, Paredes voltou a atuar apenas 11 dias depois. O jogador entrou aos 12 minutos do segundo tempo e marcou aos 43, garantindo a classificação do Boca Juniors para a final da competição continental.
O tratamento consiste na retirada de sangue do paciente, que passa por centrifugação para concentrar as plaquetas e os fatores de crescimento. Depois, o plasma é aplicado na região lesionada para estimular os processos naturais de reparação.
No Brasil, o procedimento passou a ser regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em julho de 2026, por meio da Resolução nº 2.464/2026.
A norma autoriza o PRP como tratamento complementar em quatro situações: osteoartrite de joelho, discopatia lombar, epicondilite lateral do cotovelo e reparo meniscal.
Lesões musculares como a sofrida por Paredes não estão autorizadas para uso médico de rotina no país. Isso não significa que o tratamento realizado na Argentina tenha sido irregular, já que a regulamentação brasileira não se aplica ao atendimento realizado no exterior.